Resenhas

Lê Almeida – Amenidades

Disco do carioca traz faixas de lançamentos passados com referências diversas

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Ano: 2018
Selo: Deck
# Faixas: 25
Estilos: Garage Rock, Psicodelia, Indie Rock
Nota: 3.5
Produção: Lê Almeida

É comum um artista ou banda lançar em algum ponto de sua discografia aquele famoso disco de sobras. Músicas que não chegaram a entrar nas versões finais de seus respectivos álbuns, ou demos que ficaram engavetadas e agora ganham uma produção mais definitiva recheiam estes tracklists, porém por vezes são encarados como registros para encher linguiça ou para agradar fãs de longa data, sendo colocados em segundo plano em relação aos trabalhos de estúdio. Entretanto, ao realizar este tipo de leitura apressada, perdemos a oportunidade de entendê-los como integrantes do processo criativo deste artista, podendo enriquecer ou ampliar nossa visão sobre o mesmo. Isto se mostra particularmente especial no caso do carioca Lê Almeida e sua infinita obra.

Envolvido com tantos projetos e assumindo o volante da Transfusão Noise Records, se perder por sua discografia é um convite bastante tentador e, apesar da quantidade de registros assustar um ouvinte novo, conhecer cada uma de suas personalidades é uma tarefa fascinante. Dessa forma, Amenidades nasce como um disco de sobras que funciona mais como um mapa que mostra os caminhos entre as diferentes estéticas sonoras exploradas em seus álbuns.

Da Psicodelia Lo-fi, passando pelo Garage Rock de raíz independente até chegar a influências inegáveis do Indie Rock noventista, Lê Almeida nos imerge em 25 faixas que preenchem o espaço entre as diferentes pontas da sua complexa personalidade. Assim, encarar Amenindades como um disco de sobra pode soar injusto com a jornada sonora proposta aqui, uma que com certeza vai fisgar o ouvinte novato em algum momento, principalmente pela heterogeneidade clara desta mistura.

Um Idiota abre o registro com aquele Indie Rock arrastado e de distorção típica das gravações em fita famosas do selo do músico carioca. De Madrugada Em Cima da Lage é um dos momentos um pouco mais psicodélicos, com um trabalho interessante de timbres de sintetizadores hipnóticos e soturnos. Natural Dos Encontros traz experimentos com edição de áudio que trabalham bem juntos lembrando um romantismo torto dos anos 90. Amanhã Nos Distrai é mais pesada nos evidenciando bem as influências de Garagem de Lê, mas com aquele vocal melodioso e reverberado que já lhe é conhecido. Por fim, Valsa explode o ouvido daqueles que querem sentir as estridentes guitarras em uma balada explosiva.

Com um gigantesco repetório, Lê Almeida nos traz uma experiencia interessante de ser contemplada, bem como um disco que pode incentivar a audição de outros trabalhos mais específicos. Talvez seja o melhor disco do carioca para se apresentar para desconhecedores de sua obra. Um trabalho que tenta mapear uma discografia emaranhada e complexa.

(Amenidades em uma faixa: Amanhã Nos Distrai)

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BOM PARA QUEM OUVE: Deerhoof, Ty Segall, Pixies
ARTISTA: Lê Almeida

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.