Resenhas

Liars – WIXIW

O trio nos surpreende novamente, desta vez a banda ao partir a um território minimalista, fazendo um disco repleto de elementos eletrônicos

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Ano: 2012
Selo: Mute
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Rock Experimental, Rock Alternativo
Duração: 43:00
Nota: 3.5
Produção: Liars, Daniel Miller

O novo disco do trio nova-iorquino Liars, WIXIW (lê-se “wish you”), é construído em cima de bases minimalistas que requerem paciência e atenção para serem descobertas em sua plenitude. O que parece demasiadamente simples se mostra denso e bem trabalhado, usando o mínimo possível de elementos nas onze canções do disco que oferecem uma experimentação harmoniosa e repleta de elementos eletrônicos.

Algumas comparações com Radiohead são inevitáveis – seja pelos falsetes de Angus Andrew que podem lembrar os do Thom Yorke ou pela vibe experimental que remete ao Kid A e que parece servir aqui como inspiração, ou até mesmo pela falta de classificação que a banda tem. Assim como faz a banda britânica, as constantes mudanças na sonoridade fazem parte do “estilo” do grupo.

Este não é um disco fácil, sua proposta minimalista pode cansar o ouvinte ou o enfadar por ter “coisas de menos” a apresentar, mas, em algumas músicas, o silêncio faz parte da construção da música, caso de A Ring On Every Finger, e é aí que reside o tom de novidade neste álbum.

WIXIW começa calmamente com The Exact Colour Of Doubt em uma experimentação etérea construída ao som do teclado e da voz de Andrew, pincelado por elementos eletrônicos. A música mais acessível do disco, No.1 Against The Rush, ganha colagens rítmicas e uma certa monotonia proposital causada pela repetição de seus elementos. A obra parece seguir uma proporção linear de elementos e quanto mais se avança nas faixas, mais sons são apresentados – caso de Flood To Flood, que conta com a pesada presença de sintetizadores, além das colagens eletrônicas e rítmicas.

III Valley Prodigies conta mais uma vez com uma instrumentação simples, o leve dedilhar do violão se funde a alguns barulhos e fazem desta canção uma das mais estranhamente belas do disco. Partindo para o lado oposto, Brats resgata um pouco do Dance Punk do começo da carreira da banda.

Após uma audição cuidadosa, WIXIW revela uma riqueza que reside em apresentar uma sonoridade intensa usando pouquíssimos elementos. A escolha em se aventurar pela música eletrônica não foi uma má ideia e, como de costume, o trio consegue surpreender.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts