Resenhas

Lil Silva – The Distance

Produtor se demonstra preocupado em trazer apelo vocal nas faixas em um som mais Soul Pop, mas não tem tanta ambição

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Ano: 2013
Selo: Good Years
# Faixas: 4
Estilos: Neo Soul, Deep House, Experimental
Duração: 21"07
Nota: 3.5
Produção: Lil Silva
SoundCloud: https://soundcloud.com/lilsilva/lil-silva-salient-sarah-feat

Dois anos foram o intervalo entre o último trabalho de Lil Silva para o que foi lançado no dia 5 agora. The Distance vem com quatro faixas e uma elaboração bem mais completa como o segundo trabalho prometia. O EP vem com uma veia mais Pop para acompanhar o Soul que o londrino abraça tão bem. Veio colher frutos que projetos como Disclosure, Duke Dumont e The Weeknd liberam.

Mas não é só isso. Para celebrar a volta do produtor ao selo Good Years, responsável pelo lançamento de The Patience em 2011, Silva trouxe consigo um reforço vocal à sua própria voz. Primeiro na faixa que dá início à obra, No Doubt que dá base para a cantora Rosie Lowe e também é a primeira faixa que somos agraciados pela voz do próprio Lil. E, para fechar, Salient Sarah com o renomado conterrâneo Sampha (que encabeça tão bem o SBTKT).

The Distance, apesar de muita influência de estrutura marcada, tem muito apelo melancólico. No Doubt, assim como Salient Sarah usam da referência doída do Soul para estruturação de suas faixas. Aqui o Funky londrino tem seu espaço. A primeira faixa abre como um registro de Deep House, com reverb e synths suaves para sustentar o loop vocal do primeiro minuto. Backing vocal faz parte da faixa, que se sustenta com percussão e progressão tímida. Ora Deep, ora com synths buzinados, ora Acid, o House vai construindo com muitos elementos. Muito macio, rico e detalhado. A segunda continua no gênero, mas segue uma linha mais marcada. Também bastante Soul com direito a falsetes magníficos, Sampha faz um incrível trabalho à estrutura grooveada. Estamos em uma fase em que MNEK e Sam Smith estão crescendo desenfreadamente. O House entendeu isso e traz consigo o líder de SBTKT para representar.

One Twenty e Mask parecem pertencer a outro trabalho. Completamente instrumentais, fogem do “orgânico” e trazem mais do que conhecemos de Lil Silva no início de carreira. Músicas experimentais que ainda têm consigo características de gêneros variados, como híbridos sendo inventados aos poucos. Enquanto a primeira soa amador por recortes de vocais e testes de sintetizadores, One Mask inicia como uma faixa conceitual e traz mais força consigo, quase que sinestésica.

Lil Silva ainda tem pouco tempo de estrada. Saiu de um degrau para se aventurar no de cima, um espaço bastante complicado de produção vocal, preocupações mais ligadas ao Neo Soul e marcou pontos. The Patience se assemelha muito a Carnival, um dos primeiros trabalhos do duo Disclosure. A maioria dos produtores se expressam com estruturas somente instrumentais e fazem uso de corte e remanejamento vocal. Mas, logo em The Face, mostraram que haviam subido o nível e que, de lá, não voltariam. Settle está aí pra provar isso. The Distance demonstra ambição e potencial, mas nem tanta perfeição técnica. Ainda é possível ver um Lil Silva inseguro de alçar seus voos em outros lugares e deixar para trás a zona de conforto. Agora é esperar que a Good Years estimule o produtor a encontrar seu espaço e construir sua identidade. Sua aproximação ao selo significa algo. Só falta deixar o legado feito na Night Slungs para trás e ir adiante só com a experiência do selo que lhe abraçou. Definitivamente.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King