Resenhas

M83 – Hurry Up, We’re Dreaming

Figurinha carimbada em listas de melhores de 2011 (o que já era de se esperar), este disco duplo impressiona com ótimas composições, no geral curtinhas, que criam uma atmosfera de sonho com o melhor da música contemporânea

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Ano: 2011
Selo: Näive
# Faixas: 22
Estilos: Eletrônica, New Wave, Indie Pop
Duração: 1h10
Nota: 4.5
Produção: Justin Meldal-Johnsen e Anthony Gonzalez

A primeira coisa que deve ser dita: Mesmo sendo um álbum duplo, muitas das faixas de Hurry Up, We’re Dreaming tem entre um ou dois minutos de duração, então os dois discos juntos duram pouco mais que uma hora. Segunda coisa: Esse sexto álbum do grupo francês M83 vem completinho, com momentos bem variados que dificilmente vão desagradar os fãs da boa música contemporânea.

No meio tempo entre o anterior Saturdays = Youth (2008) e esse lançamento, Anthony Gonzalez, a mente por trás do M83, excursionou com o The Killers, Depeche Mode e Kings of Leon, acompanhado de toda sua banda e conquistando elogios por onde passava. Lançar um ambicioso disco duplo não é um desafio simples, mas ele deu conta do recado.

A faixa Midnight City vem atraindo a atenção de cada vez mais gente durante todo o segundo semestre de 2011, já que teve suas primeiras audições na Web em julho, single lançado em agosto e clipe, em outubro. Quem espera encontrar essa vibe no álbum vai curtir Claudia Lewis, Reunion, OK Pal e Steve McQueen – todas ótimas – com altas chances de se surpreender com a leveza e melancolia das outras faixas que recheiam o lançamento.

Já em sua quarta faixa, a obra ganha novas dimensões introspectivas, conseguindo sussurrar emoções que vão muito além do que esperamos. Algumas são simples, curtas e um tanto etéreas, como Where The Boats Go e Fountains, enquanto outras trabalham hipérboles sonoras e temáticas, como My Tears Are Becoming a Sea e Splendor.

O ponto mais positivo é que essas transições acontecem quase que naturalmente ao longo dos dois discos, e é aí que faz sentido eles terem tantas músicas curtinhas, que servem para marcar o dinamismo nessas sequências. São 22 faixas, mas a experiência de ouvi-las pode ser descrita com várias palavras, mas dificilmente alguém dirá “cansativa” ou “tediosa”.

Entre várias pequenas surpresas ao longo do álbum, como a historinha em Raconte – Moi Une Historie e a participação de Zola Jesus na Intro, há ainda uma faixa bônus para quem comprou Hurry Up, We’re Dreaming na pré-venda. Mirror (“Espelho”) se encaixa entre o primeiro e o segundo disco, já que um é como um “reflexo” do outro (fica a dúvida: teria Gonzalez lido Guimarães Rosa?). De qualquer forma, a riqueza dessa produção coloca o M83 entre os maiores destaques do ano e audição obrigatória para amantes de música com pegada eletrônica.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.