Resenhas

Mac Demarco – 2

Músico canadense proporciona uma das surpresas mais agradáveis de 2012 ao trazer um álbum repleto de histórias misturadas a belas melodias

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Ano: 2012
Selo: Captured Tracks
# Faixas: 11
Estilos: Lo-Fi, Indie Rock, Surf Music
Duração: 31:21
Nota: 4.0
Produção: Mac Demarco

Uma das questões mais importantes que envolvem a música cantada é a dualidade entre letra e melodia. O que é mais importante? Uma discussão infindável parte destes dois pilares básicos da construção musical e, portanto, quando um artista jovem consegue unir ambos e proporcionar um disco lindo, olhares devem ser direcionados. Os canadenses do Mac Demarco, banda que tem no guitarrista e vocalista o seu elemento chave, trazem o sucessor de sua estreia, Rock and Roll Night Club, e 2 pode ser considerado uma das grandes surpresas e alegrias de 2012.

Mac é um guitarrista criativo e cria os seus arranjos a partir de acordes levemente suingados e riffs dançantes. Seus solos lembram um Mark Knopfler, do Dire Straits, menos agressivo e mais lento, aproveitando cada momento unicamente. Sua voz e lirismo lembram um jovem Lou Reed, construindo mundos a parte em suas músicas como forma de ilustração indireta de lembranças do seu passado. De forma subconsciente, suas letras sempre levam uma boa identificação entre artista e ouvinte.

Cooking Up Something Good inicia o disco como abertura de um filme de comédia de modos, abordando a realidade de um suburbio. Seus acordes divertem, é impossível não sorrir com a sua introdução. As aparências enganam na letra “and daddy’s on the sofa, pride of the neighborhood/my brother’s in the ballet”, tudo parece perfeitamente normal até que Mac diz o que está sendo bem cozinhado: anfetaminas no porão. Dreaming, logo em seguida, é a combinação perfeita entre ócio e desprendimento do mundo, Lo-Fi na medida certa sem deixar ninguém entediado.

Freaking Out The Neighborhood mostra as virtudes do guitarrista em uma das músicas mais agitadas e viciantes do disco. O alto astral da melodia contrasta com uma letra pessoal, em que Mac tenta acalmar sua mãe, pois está sem emprego e entregue as confusões mas continua o mesmo menino de sempre.”Sincerely, don’t worry/same old boy that you owe to you in front”. Annie lembra muito as composições solo de Lou Reed com seu jeito despretensioso misturado à letras amorosas, o timbre de voz é igualmente semelhante, soando quase desinteressado ao dizer “oh Annie, sit down beside me, let me confide in you /you know when I’m blue, you know when I’m lonely”.

Ode to Viceroy é um conto sobre o seu vício em cigarros. Sua melodia é lenta, letárgica e hipnotizante. “And oh don’t let me see you crying/’cause oh honey I’ll smoke you ‘til I’m dying” diz Demarco antes de encerrar a música com um solo encaixado perfeitamente. O disco vai continuando com as músicas seguindo a mesma unidade entre boas letras e arranjos praieiros, como se o Sol sempre brilhasse devagar, queimando aos poucos o seu corpo. Tente não dançar com os riffs agitados de The Stars Keep Calling My Name, por exemplo, e entenderá o sentido divertido e belo de suas músicas.

My Kind Of Women é uma das melhores canções de amor de 2012. Sinceridade passada através de uma voz serena, e versos como “you’re making my crazy /Really driving me mad/That’s all right with me/It’s really no fuss/As long as you’re next to me/Just the two of us” conseguem deixar qualquer mais apaixonado por uma pessoa ou mais melancólico por não tê-la. Entrega total é passada no refrão quando Mac pede para pessoa mostrar o seu mundo para ele, “and I’m down on my hands and knees/Begging you please, baby /Show me your world”

Sheril é a melhor música do disco. A melodia no verso é simplesmente viajante e impossível de ser esquecida. Pense em um vício musical que dura pouco, 2:30, e temos um ótimo candidato a ser o repeat dos seu player nas próximas semanas.

Se em seu debut víamos Mac Demarco com ares andrógenos a lá David Bowie e uma aura mais escura, percebíamos também timbres de guitarra que abraçam por inteiro 2. Aqui o músico demonstra que questões entre letras e melodias podem ser esquecidas quando o seu álbum é apreciado ao abranger ambos os mundos de forma letárgica e praieira. Virtuoso guitarrista, lembrando outros dinossauros da música com sua voz pegajosa e viciante, Mac é a definição de música “gostosa de se ouvir”, sem soar banal ou artificial. Álbum perfeito para constar na sua playlist de verão em qualquer momento.

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BOM PARA QUEM OUVE: Matthew E. White, Best Coast, Girls
ARTISTA: Mac Demarco

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.