Resenhas

Maggie Rogers – Heard It in a Past Life

Em disco de estreia, cantora norte-americana reafirma sua posição de ascensão dentro de um novo tipo de música pop

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Ano: 2019
Selo: Capitol/Polydor
# Faixas: 12
Duração: 45:25
Nota: 3.5
Produção: Greg Kurstin, Doug Schadt, Ricky Reed, Kid Harpoon, Jack Hallenbeck, Lucio

Há o Pop. Aquele que a gente já conhece bem, das paradas de sucesso, dos estádios e casas de espetáculos cheios. Da histeria coletiva em nível mundial, anúncios de TV e tudo mais que envolve a superexposição na mídia. Tanto que até esquecemos do componente musical em algumas das vezes que superestrelas surgem aqui e ali. Esse gênero segue vivo e ativo, basta olhar à sua volta. Além dele, já há algum tempo, há o Pop. Não o “Pop Alternativo”, ainda que, por definição, o seja, uma vez que não é tão massificado e divulgado como o seu xará mais velho. Porém, há um quinhão de diferenças notáveis entre este – chamemos de – “novo Pop” e o “Pop tradicional”.

Maggie Rogers é uma artista típica deste novo Pop. Seu disco de estreia, Heard It In A Past Life, é uma prova desse alinhamento estético e responde com voz clara e alta sobre seu papel nesta ciranda cada vez mais complexa dos rótulos e definições que permeiam a música popular neste início de século. Maggie tem os requisitos básicos: canta bem, compõe bem, tem um time de produtores a seu lado, entre eles, Rostam (multimúsico, amigo de infância, figura em ascensão no mercado dos manipuladores de estúdio) e Greg Kurstin, sujeito que assinou os últimos trabalhos de vários figurões, de Paul McCartney a Foo Fighters, ainda que tenha começado a ganhar força quando assinava os álbums de Adele.

A música que esta galera oferece, Maggie à frente, é indubitavelmente acessível e gentil, a ponto de te fazer cantar junto várias vezes. O single Alaska é o maior exemplo, mas há vários momentos interessantes por aqui, caso de Overnight (com arranjo minimalista, que privilegia a voz de Maggie e enfatiza o bom uso de samples e teclados), Light On (arejada e fofa na medida certa), Fallingwater (cheia de batidinhas e percussões eletrônicas), entre outros acertos. Mas não é só isso. As soluções de estúdio, os arranjos, os arcabouços das canções, tudo é muito bem pensado e guarda, digamos, certo refinamento. Não se trata de pitadas de megalomania de estúdio, reviravoltas e senhas escondidas, pelo contrário: os produtores são artesãos dos botões, criados e amamentados por toneladas de bytes de informação musical. E são craques em ir e vir das influências e inspirações.

Este novo Pop pede a atenção do ouvinte. Não é só para diversão, mas oferece uma gama de detalhes e diversões que satisfazem o mais exigente ouvinte de gêneros mais herméticos e exigentes. E este álbum de Maggie Rogers, sua estreia, é um ótimo caminho para você entender do que estamos falando. Ela e seu time de colaboradores criaram um trabalho artístico de relevância, com potencial grudento e amoroso, provavelmente na medida certa de muitos ouvintes em potencial.

(Heard it in a Past Life em uma música: Alaska)

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BOM PARA QUEM OUVE: Feist, Haim, Lorde
ARTISTA: Maggie Rogers
MARCADORES: Pop

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.