Resenhas

Maglore – III

Terceiro disco do trio soteropolitano acerta a mão na dosagem de Pop, MPB e Rock

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Ano: 2015
Selo: Deck Disk
# Faixas: 11
Estilos: MPB, Rock, Música Brasileira
Duração: 36'
Nota: 3.5
Produção: Rafael Ramos

Três parece ser o número cabalístico que dá o norte a III, novo disco do agora trio Maglore. Depois da saída do baixista Nery Leal e a entrada de Rodrigo Damati, que, além de assumir os graves, representa também o papel de compositor ao lado de Teago Oliveira, o grupo soteropolitano ganhou um tempero diferente e ainda mais urbano do que o que foi visto em Vamos Pra Rua, de 2013. Há algo mais contemporâneo, mais Pop e até mais corajoso, eu diria, nesta obra.

Assim como em seus outros álbuns, a banda transita entre MPB, Rock e alguns ritmos regionalistas, mas desta vez o faz de forma ainda mais fácil aos ouvidos, criando uma boa variação, ao mesmo tempo que mantém bastante coesão entre as canções. Melodias e arranjos se encaixam em uma gostosa mistura Pop. É algo dinâmico e animado que tem endereço certo às rádios e que ainda assim não soa como música feita exclusivamente para as ondas FM. Se você ainda tem problemas como canções radiofônicas, este talvez seja seu ponto de partida para mudar de opinião – e talvez seja bom começar com o single Se Você Fosse Minha.

As letras são igualmente amigáveis à radiodifusão e tratam de uma concepção bem Pop do amor, mas sem em nenhum momento se tornar piegas, até mesmo quando brinca com elementos de grande hype, como o romance de uma mortal e um vampiro (à la Crepúsculo), o faz com uma boa dose de humor. Vampiro da Rua XV fecha a obra como um capítulo que parece bem fora do contexto geral do disco, mas que serve como uma boa e divertida conclusão para uma coleção de músicas que tratam de sentimentos amorosos.

Leve e com pé no asfalto, o disco é um diagnóstico da nova fase do grupo, que reside agora em São Paulo e, em meio a um fervilhante poço cultural, absorve essas novas referências sem perder o lado romântico e o tempero baiano que une a banda. A receita está ainda mais certeira e rende alguns singles bem poderosos – vide Dança Diferente e Mantra.

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BOM PARA QUEM OUVE: Dônica, banda-fôrra, Transmissor
ARTISTA: Maglore

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts