Resenhas

Majical Cloudz – Impersonator

Duo canadense traz músicas carregadas para o lado dramático e de boas estruturas de letras, com usos de ultraromantismo, realismo e metalinguagem.

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Ano: 2013
Selo: Matador Records
# Faixas: 10
Estilos: Minimal, Experimental, Dream Pop
Duração: 38:15
Nota: 4.0

Apesar de o título ser Impersonator (que em livre tradução seria algo como imitador), o primeiro álbum do duo Majical Cloudz soa como um diário, daqueles em que guardamos nossos medos seja utilizando nossa própria voz ou as transferindo para outras pessoas por nós inventadas, daí justificando o título da obra como um eu-lírico. Em suas 10 faixas, percebemos a forte utilização da voz em primeira pessoa, com parte dos versos da obra se iniciando pelo pronome “I” (“Eu”) o que indica o ar intimista ao mesmo tempo que doloroso das composições.

A primeira faixa, homônima ao álbum, funciona como um prólogo da peça dramática que o mesmo se revela, já envolvendo o ouvinte no clima interpessoal que o duo canadense propõe como algo que transita entre ares de insegurança, solidão e existencialismo. Observamos aqui que a tônica do disco, que irá seguir por toda sua extensão, e por ter um ar melancólico e arrastado, pode tanto agradar quanto desagradar os diferentes ouvidos que a escutarem.

Outro ponto da obra é a conexão temática, como pode ser observada com as faixas This Is Magic e Childhood’s End, que retratam assassinatos, medos, perdas e depressão. As faixas parecem se unir inclusive como continuações de um script, visto que na primeira citada, se escuta um barulho de tiro enquanto a personagem se esconde acuada, ao mesmo tempo que na faixa seguinte é citada a morte do pai de uma terceira pessoa. Tal efeito traz ainda mais linearidade para a obra além apenas de suas ligações temáticas. Um detalhe interessante a se ressaltar é a presença de uso de metalinguagens em algumas canções, mostrando como a dupla mostra sua atenção para os conceitos e questões, fato que enriquece ainda mais as composições, e consequentemente, dá um toque diferenciado – positivamente- para a obra.

Com ares de despedidas, solidão, insegurança, amargura sentimental e metalinguagens, Impersonator soa como uma vagarosa comédia dramática dividia em alguns atos, que se forma por aglutinações temáticas entre faixas. O resultado é uma obra densa com carga sentimental pesada e sofrida, com composições bem estruturadas como poesias de versos livres, sendo uma obra indicada principalmente para os amantes do ultraromantismo e do realismo. Uma bela estréia de disco, e que poderia ser uma bela estréia de uma peça dramática.

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BOM PARA QUEM OUVE: Doldrums, Blue Hawaii, Grimes

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).