Resenhas

Major Lazer – Free the Universe

Com álbum extenso, projeto abandona batidas do Funk Carioca para se aventurar nas mais variadas influências jamaicanas

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Ano: 2013
Selo: Mad Decent
# Faixas: 14
Estilos: Reggae, Dubstep, Moombahton
Duração: 72"12
Nota: 4.0
Produção: Diplo
SoundCloud: https://soundcloud.com/majorlazer/major-lazer-watch-out-for-this

Depois de tempos sombrios para o (ex) duo Major Lazer, tudo indica que o major ressurgiu das cinzas com força pra continuar fazendo o mesmo barulho de 2009. Dando continuidade a Guns Don’t Kill People, Lazers Do, Free The Universe segue na mesma abundância de quatro anos atrás, trazendo quatorze faixas bem variadas e três remixes em seu novo trabalho.

Com seis meses de aquecimento para os fãs, Diplo – e agora só ele – foi mostrando aos poucos o que estava por vir nesse abril, e agora muitas faixas batem com as ouvidas em seu set no Lollapalooza 2013. Músicas que já era de nosso conhecimento como a carregada Jah No Partial (com Flux Pavilion) e a suave Get Free (com a delicada Amber do Dirty Projectors) deram o gosto exato do jogo de extremismo do produtor com a nova obra. A salada musical do “Universo” começa com a mistura quase que sem lógica dos colaboradores do álbum, mas seria assim julgado se não fosse a real intenção de Diplo. O produtor trouxe a politicagem de Santigold, a volta do Vybz Kartel (intenção de um Pon The Floor 2.0?), Vampire Weekend, Bruno Mars e Tyga numa mesma faixa, sem contar a leva de ótimos produtores emergentes como GTA, Flux, The Partysquad, Laidback Luke e Skream (os dois últimos nem tão revelações), como se alguém não já soubesse que a anarquia é exatamente o que traz a identidade musical de Diplo. Isso tudo somado a vinhetas cômicas que já são quase que tradição no Major Lazer.

Apesar do ecletismo, dias de produção na Jamaica trouxe, obviamente, bastante influência para o novo trabalho do Major Lazer. Quem pensou que o produtor iria seguir o Moombahton e, principalmente, o Trap de seus últimos sets e mixtapes, se enganou, Diplo foi para outra linha. Free the Universe se parece mais intencionado em hitar na rádio do que nas pistas. O ar roots não deu trégua, não só na malemolência rítmica, mas em algumas letras politicamente engajadas (o que não combina muito com Diplo e seu histórico).

O que um dia era buzinas e batidões de Funk Carioca em loop reflexo de uma paixão já admitida pelo Brasil, hoje já reflete em liderança do major na America Central. Tambores jamaicanos, riffles de Reggae, e tons melódicos estão nas feministas You’re No Good e Keep cool, a recitada Jessica na voz de Ezra Koenig, a Chill Roots Get Free, Reach for the Stars e Playground. Major Lazer começa a mostrar suas habilidades em misturar o regional com suas influências com Housetton rebolativo em Watch out for this e o Drum’n’bass/ Dubstep com Jah no Partial.

A preocupação com o banger aqui foi menor e mais direcionado aos novos nomes. GTA manteve seu Moombahton com direito a drop progressivo em Jet Blue Jet e “can’t stop” em loop. Elephant Man trouxe o Acid-Electro-Techno com Wind Up, uma das melhores faixas de todo álbum, com direito a recorte de vocal, lembrando o Diplo dos velhos tempos. Sweat foge do banger de Laidback Luke pra recriar um Moombahton bastante vocalizado, e a Dancehall Mash up the Dance com synths rasgados de Electro, uma das faixas mais próximas de uma pista, bom trabalho do PartySquad.

Fora de tudo o que conseguiria ser catalogado como algo específico, tem Scare Me, faixa em colaboração com a ícone Peaches, uma forma de juntar o Electroclash-explícito com uma estrutura latino-brega que coube muito bem com Timberlee. Tirando o tema e o hit, Bubble Butt foi um trabalho que juntou o comercial em todos os sentidos, desde a insuportável repetição do título até em sua estrutura que facilmente vestiria o uniforme de single de todo o trabalho.

Free the Universe traz bandeiras no ar com intuito de libertar essa liberdade criativa. Diplo continuou vestindo sua fantasia da inconstância para o processo de produção de seu novo álbum. Sempre se inspirando por um tema, o produtor levou o major para outro antro rebolativo do planeta para fisgar as próximas tendências de sua música. E esse liquidificador ajudado por tantos bons artistas traz exatamente essa originalidade às produções do Major Lazer. Talvez com uma ausência do banger usual de Diplo (que faz sim falta), e o produtor usando essa linha mais comercial/vocalizada como parte de seu conceito (espero que esteja errado), o álbum poderia ter mais em não parecer uma rádio-Jamaica. Fora (ou não) de qualquer conceito, o álbum serve como uma vitamina com novos ingredientes pra aumentar o ânimo e divertir. Essa é a vontade que permeia há 34 anos e pelo jeito o major tá longe de sair da guerra.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King