Resenhas

Major Lazer – Peace is the Mission

Terceiro trabalho do grupo liderado por Diplo acerta no retorno às sua raízes caribenhas e por seu apelo Pop

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Ano: 2015
Selo: Mad Decent
# Faixas: 9
Estilos: Reggae, Dancehall, EDM
Duração: 32:02
Nota: 4.0
Produção: Diplo, Jr Blender, DJ Snake, Major Lazer

O grande problema que a EDM atual pode enfrentar é a sua própria compulsão por elementos cada vez mais identificáveis: drops de batidas, vocais semelhantes, basslines repetidas e tantas outras características que podem ser percebidas em um balada comum, por exemplo. Logo, a sua sobrevivência reside na constante renovação musical, muito mais necessária e frequente que outros estilos por um fator intrínseco a sua existência: a descartabilidade de suas criações. Batidas de cinco anos atrás podem te fazer dançar em um show de Calvin Harris, mas não vão te fazer se interessar por um som novo caso sejam repetidas. Renovação é o caminho e isso que o grupo de Diplo busca em Peace is the Mission.

Major Lazer é um exemplo de sucesso dentro da EDM como um todo. Sua discografia é recheada de hits, assim como as suas performances ao vivo – como a deste ano no Lollapalooza- e a construção virtual e cartunesca de um personagem que responde pela música, tal qual Gorillaz “inventou”. No entanto, o apelo para estilos naturalmente caribenhos, como o Reggae e o Dancehall, talvez fossem o grande chamariz para a música Eletrônica criada. Se inicialmente esse era o significado musical do grupo, ele foi aos poucos se resumindo ao fundo, por trás de batidas que poderiam ser confundidas com as próprias de Diplo ou de algum artista de Trap, por exemplo.

Essa redundância se perde totalmente no terceiro disco do grupo, seu melhor trabalho até então. Temos aqui uma notória aproximação de seus produtores à música Pop, mas todas inspiradas e relacionadas ao Reggae e ao Dancehall, deixando-as muito atrativas ao verão do hemisfério norte que se aproxima (e, consequentemente, ao nosso no fim do ano). Parcerias certeiras, algo comum na discografia de Major Lazer, se repetem aqui e temos, por exemplo, um dos grandes hits do ano que você certamente já ouviu – Lean On com -, além de inúmeros outros atos que trazem batidas e ritmos bastante comuns no final da década de 1990 e começo desse século.

All My Love, com Ariana Grande, é um desses momentos que nos trazem de volta aos hits do Disk MTV e que proporciona dança e ritmos além dos comuns drops de batida de diversos hits do grupo. Eles surgem naturalmente aqui, como em Too Original, com Elliphant, só que são tratados de outra forma – são adereços, não a obsessão do trabalho. Isso ocorre justamente pela preocupação maior com as participações especiais e em como as faixas são trabalhadas para cada artista. Too Original não seria nada sem Elliphant, a gostossísma Be Together, com Wild Belle, precisa da voz Pop da cantora e da levada Reggae de sua banda, enquanto Blaze Up the Fire não seria nada sem o sabor jamaicano de Chronnix.

Nem tudo soa tão bem, porém. Powerful, com Ellie Goulding e Tarrus Riley, é extremamente genérica e foge totalmente ao escopo caribenho do disco, entretanto a vontade de ser Pop de Major Lazer ganha mais força e acaba gerando uma música de fácil apelo que deve virar hit mesmo assim. Ainda bem que temos outros bons momentos pra compensar, como a dançante Light It Up, com Nyla, e a ótima Night Riders, com Pusha T, 2 Chainz e Travi$ Scott na faixa mais Hip Hop do disco.

O símbolo grego Ouroboros sinaliza em poucas palavras a obsessão de um homem: a cobra comendo o seu próprio rabo. Esse talvez seja o tipo de simbolismo que marque a EDM atual e Major Lazer está tentando fugir de seus próprios estigmas com bastante sucesso em Peace is the Mission, seu trabalho mais acessível, divertido e menos óbvio até então. Ao retomar as raízes caribenhas de ritmos que eram propostos anteriormente, Diplo acerta de mão cheia e prova que eles estão em alta – a ótima faixa I Know There’s Gonna Be de Jamie XX em In Colour, é a prova viva de sua relevância no verão de 2015. Um trabalho para colocar na playlist da festa sem precisar mudar nos 32 minutos seguintes.

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BOM PARA QUEM OUVE: Elliphant, M.I.A.
ARTISTA: Diplo, Major Lazer
MARCADORES: Dancehall, EDM, Ouça, Reggae

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.