Mannequin Trees – Mannequin Trees

EP de estreia do grupo traz boa experiência psicodélica repleta de referências oitentistas

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Ano: 2017
Selo: Balaclava Records
# Faixas: 4
Estilos: Dream Pop, Synthpop, Psicodelia
Duração: 15:00
Nota: 3.5
Produção: Ícaro Reis

A psicodelia que o sergipano Ícaro Reis vislumbrou foi demais para ficar apenas em sua cabeça e, assim, uma banda precisou surgir para suprir esta vazão. Junto a Teago Oliveira (Maglore) e Gabriel Olivieri (O Grande Babaca), Mannequin Trees veio trazer ao mundo uma expressão lisérgica bastante apoiada nos nomes da cena australiana, como Tame Impala, Pond e GUM. Entretanto, é preciso tomar certo cuidado para não encarar seu autointitulado EP de estreia como uma reprodução fidedigna de nomes tão importantes quanto aqueles citados.

Com referências claras aos anos 1980 e um apego a timbres de sintetizadores fantasmagóricos, o registro procura utilizar as referências australianas mais como uma espécie de consulta do que um norte criativo, criando um universo único e peculiar de onde Ícaro parece ter retirado as melodias e arranjos destas composições. Dessa forma, este seria o grande ideal que o EP procura nos mostrar: o desvendar de microcosmo que só Mannequin Tress tem acesso.

Apesar de ter uma duração curta, a viagem à qual somos submetidos é bastante intensa. A Little Closer, por exemplo, usa sintetizadores reverberados junto à suave voz de Ícaro para nos proporcionar a decolagem por este voo. Já Dreamer, em plena viagem, nos mostra quais são os elementos caros a Mannequin Trees, os quais percebemos serem manipulados durante a reprodução do EP, tais como interferências de gravadores de fita, ecos que criam paredes sonoras potentes e guitarras repletas de efeitos empoeirados com uma alusão a sonoridades mais vintage. Down The Road é soturna, como se aquele voo que pegamos no começo do disco estivesse percorrendo um trecho noturno, onde sentimos mais do que enxergamos à frente. Por fim, Sorry encerra o trabalho em uma suavidade que flerta com nomes da Chillwave como Toro Y Moi e, até mesmo, um pouco de Mac deMarco e suas guitarras em gravador de fita.

Em apenas quinze minutos, Mannequin Trees nos mostra pleno domínio sobre referências psicodélicas, bem como uma autonomia para criar universos únicos, sem necessariamente apelar para estereótipos. Este mundo ainda pode nos proporcionar muitas experiências, portanto, um futuro novo disco é certamente algo digno de nossa ansiedade. Um trabalho finito de percepções infinitas.

(Mannequin Trees em uma faixa: Dreamer)

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BOM PARA QUEM OUVE: Gum, Tagore, Toro y Moi

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.