Resenhas

Mark Lanegan Band – Gargoyle

Em seu décimo álbum, músico continua em sua jornada assombrada por demônios pessoais

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Ano: 2017
Selo: Heavenly
# Faixas: 10
Estilos: Rock Alternativo, Post-Grunge
Duração: 41
Nota: 3.5
Produção: Mark Lanegan, Rob Marshall, Alain Johannes

Mark Lanegan é um cara assombrado. Desde os anos 1990 o artista vem construindo essa personagem atormentada pelo “lado negro da Força”, como diria Carlos Eduardo Lima em sua resenha de Phantom Radio. Demônios, fantasmas, obsessores, e agora também gárgulas e portões de cemitério, são imagens recorrentes, ou até mesmo insistentes, nesse universo que Lanegan construiu para si. No décimo álbum de sua carreira, Gargoyle, continuamos essa jornada descendente pelos círculos do seu inferno pessoal.

Tudo isso tem muito a ver com a música que aprendeu a fazer ainda lá nos anos 90, com sua banda Screaming Trees, ou mesmo naqueles caras que, com a união dos seus poderes, edificaram o pathos que tornou possível a existência de Lanegan. Estou falando desses bêbados amargos, brutos que também amam, como Tom Waits, Leonard Cohen ou, vejamos, Nick Cave e derivados, que apadrinharam esse estilo de vida que Mark Lanegan e sua Band abraçam com tanto carinho.

Musicalmente, o que temos aqui, é uma guitarrada de alto nível temperada com doses de desilusão que nos remete ora à Afghan Whigs, ora à Tindersticks, ora, é claro, à Queens of the Stone Age. Fora alguns momentos fora da caixa, inclinados mais para um plano U2 (!) ou Nine Inch Nails (ouça a faixa Beehive por exemplo), Gargoyle avança sem grandes surpresas, e traz o artista para o lado de cá da marca de dois dígitos na discografia pessoal com todo o êxito que merece.

(Gargoyle em uma música: Nocturne)

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Autor:

é músico e escreve sobre arte