Resenhas

Mark Lanegan Band – No Bells On Sunday

EP traz a voz inconfundível do músico em sua atmosfera favorita e oscila entre belas e insossas canções

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Ano: 2014
Selo: Flooded Soil/Vagrant Records
# Faixas: 5
Estilos: Stoner Rock, Rock Alternativo
Duração: 27:00
Nota: 3.0
Produção: Mark Lanegan Band

A forma como a música é exposta, cada vez mais audiovisual, permite que cada personalidade artística possa ser apreciada por uma particularidade/característica – sua bela voz, sua presença de palco, sua beleza etc. Dentro do campo vocal, tão vasto e plural, existem aqueles que preferem as vozes aveludadas, agudas ou graves. Mark Lanegan se enquadra neste último quadrante, mais especificamente no tom barítono – assim como Nick Cave, Matt Berninger (The National) e Tom Waits, entre outros. Curiosamente, tal sonoridade acaba sendo sempre atrelada a uma atmosfera mais escura, melancólica e soturna, No Bells On Sunday é um EP que segue a carreira intensa do ex-Screaming Trees e Queens of the Stone Age, trazendo um resultado condizente, mas ambíguo em alguns casos.

Nos últimos anos, Mark seguiu à frente de sua banda, assim como lançou um discos de covers, Imitations e se envolveu com outros músicos (como Moby e Warpaint), mas o seu grande trabalho foi Blues Funeral, uma revitalização em sua carreira. Sombrio, tangendo o lado Eletrônico em alguns momentos e sempre dando ênfase às suas letras – belas, tristes e contemplativas. Suas influências são ouvidas na sintética e bonita Smokestack Magic – suas texturas (sintetizadores e ruídos) criam a atmosfera para uma comunhão crescente entre ouvinte e o vocal grave de Lanegan. Em pouco mais de oito minutos, o mesmo divaga sofre os efeitos corrosivos e inerentes do uso de entorpecentes enquanto quem a escuta é levado para o clímax de forma lisérgica, ao mesmo tempo em que citações religiosas dão um ar de culto a melhor faixa do EP.

No entanto, somos jogados para momentos polarizados em cinco faixas: Dry Iced carrega o peso por um desfecho que nunca vem e se torna extremamente sonolenta nos momentos instrumentais, enquanto as partes cantadas são repetitivas, mantendo sempre a mesma expressão emocional. Já No Bells On Sunday segue uma estrutura semelhante – lenta e letárgica, mas com elementos mais bonitos, orquestrados como o piano e os sinos do título. Surge um desfecho, o refrão ecoa na cabeça e o vocal tem dinâmica, alterando o sentimento a cada novo verso – logo temos umas das músicas mais tristes e pessoais de 2014, daquelas que você adora guardar para auto-indulgência, deixando a tristeza passar.

As reminescências roqueiras de seus projetos anteriores aparecem sobretudo no Stoner Rock de Sad Lover – aqui existe peso na bateria e no baixo enquanto a guitarra só surge no momento certo – trazendo o agito para um EP que sempre tende para o lado lento. Jonas Pap, curta, nos lembra os momentos derradeiros de Johnny Cash e acaba por consolidar um trabalho que nos antecipa seu próximo LP, Phanton Radio. Assim como os seus companheiros de vozes barítonas, Mark Lanegan é um músico de nicho, interpretativo, contemplativo e que traz na sua condução grave o valor de seu trabalho sendo que a paciência e compressão são a chave para se envolver na atmosfera criada. Ao final, parece que o músico sempre quer dizer que a tristeza faz parte da vida e que o seu “lado negro” tem diversas faces, logo, depende do ouvinte entender o recado ou não em No Blues On Sunday.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.