Mark Lanegan – Blues Funeral

Contando com diversas participações especiais, o disco consegue mais uma vez trazer a aura sombria de Lanegan e sua poderosa e densa voz – mais uma vez o centro das atenções, dividindo espaço com os bons arranjos e experimentações

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Ano: 2012
Selo: 4AD
# Faixas: 12
Estilos: Rock Alternativo, Blues Rock
Duração: 55:30
Nota: 4.0
Produção: Alain Johannes

Mais uma coleção de músicas sombrias de Mark Lanegan: agora sob o nome de Mark Lanegan Band, o cantor exibe todo seu poder criativo em belos arranjos e na instrumentação impecável de Blues Funeral. O ex-vocalista do Screaming Trees lança seu sétimo álbum solo com participações de Jack Irons (Eleven, Pearl Jam), Greg Dulli (Gutter Twins), Chris Goss (Masters of Reality) e Josh Homme (Queens of The Stone Age).

Quem gostou de Bubblegum (2004) de certo vai gostar de Blues Funeral também, pois a atmosfera densa e sombria continua intocada. Em todo esse tempo de espera (foram mais de sete anos), Mark esteve bem ocupado. Ele gravou com Isobel Campbell, se juntou ao Greg Dulli no Gutter Twins e ainda participou nos discos do Twilight Singers e UNKLE.

Forte, profunda e rouca, a voz de Lanegan consegue nos chamar a atenção com seu vocal às vezes quase falado que consegue expressar toda a significância de suas musicas. Cada vez mais, ele consegue sintetizar seu trabalho sem perder em nada a força de suas letras, arranjos e vocais, e consegue criar um som em camadas, que juntas formam um conjunto sonoramente incrível.

Em suas doze faixas, o músico transita do sereno ao pesado muito bem – caso da faixa que abre o álbum, a densa The Gravedigger’s Song. Mesmo em suas experimentações eletrônicas, como Bleeding Muddy Water, Lanegan consegue fazer muito bem essa transição. As inovações não escondem os maneirismos de Mark em suas composiçãoes pesadas e sua voz funesta.

St Louis Elegy ganha uma aura de trilha de Western à la Ennio Morricone e conta com o backing vocal de Greg Dulli (The Gutter Twins, outro projeto de Lanegan), sendo uma das mais belas canções do disco. Mais uma experimentação eletrônica é Ode to Sad Disco, com drum machine em loop e diversas camadas e texturas que abrem caminho para sua poderosa voz. O maior espanto é Harborview Hospital, com seus teclados que lembram os primeiros trabalhos do New Order, e uma vibe de Joshua Tree do U2, que fazem a música fugir um pouco da pegada do restante do disco.

Blues Funeral é um álbum complexo, que acaba por polarizar os ouvintes. Não é um disco de fácil entendimento, nem tão pouco acessível, mas quem se deixar levar por ele vai descobrir que pisar em novos terrenos pode ser bom também.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Kills, Leonard Cohen, Girls
ARTISTA: Mark Lanegan

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts