Resenhas

Mark Lanegan – Imitations

Novo disco soa sincero durante toda sua duração, adquirindo um tom confessional e pungente

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Ano: 2013
Selo: Vagrant
# Faixas: 12
Estilos: Rock
Duração: 41:28
Nota: 3.5
Produção: Mark Lanegan

Mark Lanegan goza de um grande prestígio junto ao público de Rock Alternativo, mais precisamente, daquele pessoal que aprendeu a amar bandas como Queens Of The Stone Age. Não por acaso, uma vez que Lanegan emprestou sua presença e voz ao disco mais popular do Queens, Songs For The Deaf, lançado em 2002. Antes disso, o roufenho cantor era o ex-integrante soturno do Screaming Trees, formação dos arredores de Seattle, que teve brevíssimo momento de sucesso no início dos anos 90, quando lançou um disco chamado Sweet Oblivion. Com razoável rotação em rádios alternativas do mundo, o trabalho do Screaming Trees foi enquadradado – erroneamente – na onda Grunge, chegando a fazer parte da trilha sonora com seu maior sucesso, Nearly Lost You.

Os Trees nunca foram uma banda regular, seu novo trabalho só viria em 1996 e seria o último, Dust. Lanegan já iniciara uma carreira solo e investiu nela a partir do fim da banda. Lançou discos difíceis mas interessantes até se juntar ao Queens e assumir papel de destaque no início do milênio. Fez três discos com Isobel Campbell, ex-Belle And Sebastian, outros três em parceria com Greg Dulli (Afghan Whigs/Twilight Singers) sob o nome de Gutter Twins e colaborou com uma grande variedade de gente, de Massive Attack a Slash. Em 2013, Lanegan resolveu lançar um disco de covers, Imitation.

A ideia é simples: cantar o que ele ouvia no rádio de casa e nos discos que seus pais tocavam na vitrola da sala. O repertório traz uma grande quantidade de canções dos anos 60 e 70, muitas delas de artistas que acabaram por influenciar Lanegan, além de algumas canções mais recentes. Há sucessos inesperados como You Only Live Twice, talvez a melhor canção de 007 já feita, sucesso na voz de Nancy Sinatra, devidamente despida de seu instrumental original numa versão voz e violão. Também temos Mack The Knife, um verdadeiro clássico dos anos 50/60, cantado por grandes mestres como Sinatra, mas famosa na voz de Bob Darin. Novamente a versão de Lanegan – como todo o álbum sugere – despe o arranjo original para atingir a secura do instrumental acústico. Também há uma simpática versão para o sucesso setentista de Hall And Oates, “She’s Gone”, e o standard Autumn Leaves, além de uma revisita ao repertório de Nick Cave, em Brompton Oratory e dos Twilight Singers, com Deepest Shade.

Imitations é interessante e soa sincero o tempo todo. A voz de Lanegan parece a de um discípulo aplicado de Tom Waits, prometendo mais rouquidão e sofrimento no futuro, desde que ele siga caminhando e se equilibrando nas linhas tênues que separam o lado negro da Força dos outros referenciais. Para os fãs, uma coleção confessional e pungente.

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ARTISTA: Mark Lanegan
MARCADORES: Rock Alternativo

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.