Resenhas

Marnie Stern – The Chronicles of Marnia

Em seu quarto disco, cantora vai na contramão de suas produções anteriores e tenta simplificar seu misto entre Math Rock e Rock Alternativo

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Ano: 2013
Selo: Kill Rock Stars
# Faixas: 10
Estilos: Math Rock, Rock Experimental
Duração: 32:52
Nota: 3.5
Produção: Kill Rock Stars

“Simplicidade” nunca foi um adjetivo consistente para descrever o som de Marnie Stern e em seu novo lançamento, The Chronicles of Marnia, isso não é diferente. Porém, a moça tenta soar assim e, se comparado aos seus três lançamentos anteriores, este é o disco mais simples de toda sua carreira.

Aqui, Marnie vai na contramão do que apresentava. Se a moça era conhecida por sua musicalidade frenética, incrivelmente técnica, guitarra tocada à base do tapping e letras quase filosóficas, agora ela busca um som mais acessível. Com certeza um risco para uma artista que obteve êxito em seus trabalhos anteriores exatamente por mostrar tais atributos.

Não que este seja um alienígena dentre sua discografia, mas certamente há grandes mudanças. Stern se concentrou em diminuir suas excentricidades, escolhendo caminhos mais acessíveis para mostrar toda sua técnica e habilidade à guitarra. A troca de bateristas também teve um papel fundamental – sai Zach Hill (encarregado das baquetas no duo Hella) e entra Kid Millions (responsável pelo instrumento no coletivo de Hip-Hop Death Grips). Hill é insubstituível, mas Millions mostra incrível talento e se encaixa perfeitamente na sonoridade “simples” que Marnie traz ao seu novo disco.

O resultado desta subtração de elementos, curiosamente deixa ainda mais em evidência a guitarra e voz de Marnie, exibidos em uma estética ligeiramente diferente, mas tão potentes quanto sempre foram. Year of the Glad mostra muito bem isso. A canção logo de cara apresenta estes dois elementos se entrelaçando, criando uma única melodia. O misto entre Rock Experimental e sua vertente matemática se encarrega do resto e conduz a faixa com muitas quebras no ritmo e tempos irregulares. Apesar da mística de sonoridade complicada ao ouvinte, o Math Rock nas mãos de Marnie se torna altamente desfrutável.

Atingindo um resultado final robusto e diverso, The Chronicles of Marnia consegue explorar outras tantas sonoridades tendo como base o Math Rock. Noonan brinca com sons tropicais, lembrando timbres e percussão usados em Ilha Bela, do Holger; em East Side Glory a moça desacelera seu ritmo e se apoia em na vertente Pop do estilo, como algo que Maps and Atlases ou Tubelord fizeram em seus últimos registros; Proof of Life segue quase a mesma linha Pop, mas adiciona elementos do Rock Alternativo e ganha grande charme com o piano que ajuda a marcar o tempo da música com suas notas agudas.

No fim das contas a mudança parece ter feito bem pra Marnie Stern. Mesmo que sonoramente não seja tão rico quanto seus antecessores, em The Chronicles of Marnia ela torna seu som mais fácil para quem não está acostumado com suas idiossincrasias – os fãs de longa a data podem, a principio, se assustar, mas logo voltaram à realidade, vendo que os elementos fundamentais da sonoridade da moça continuam intactos.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts