Resenhas

Marta Forsberg – Archaeology of Intimacy

Artista sueco-polonesa combina composições meticulosas, senso melódico e uma apurada síntese eletrônica

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Ano: 2025
Selo: Warm Winters Ltd.
# Faixas: 7
Estilos: Ambiente, Experimental, Eletrônica
Duração: 37'
Produção: Marta Forsberg, Ludwig Wandinger

Marta Forsberg é uma artista sueco-polonesa cujo trabalho explora a linguagem e a memória humana. Tendo estudado composição eletroacústica, ela explora a interação entre vozes humanas e sintéticas, criando paisagens sonoras íntimas e etéreas. Archaeology of Intimacy, seu novo álbum lançado pelo selo eslovaco Warm Winters Ltd., experimenta com a estrutura da música pop. De acordo com uma sinopse em seu site, trata-se do “empreendimento musical mais íntimo pelo qual a artista já se aventurou”.

A sensação de “intimidade” se dá porque Forsberg expõe sua voz de maneira crua e sem acabamentos. Inicialmente pensada apenas como ferramenta composicional para fazer esboços, a voz acabou se revelando a medula desta nova coleção de músicas. Com a ajuda de Ludwig Wandinger, que coproduziu e mixou o disco, Forsberg aceitou os esboços criativos como versões finais das músicas, expondo os detalhes íntimos da voz, como inspirações e expirações, sibilâncias e imperfeições. A “arqueologia”, por sua vez, consiste nesse trabalho com os fragmentos: a escavação, o restauro, o polimento e a recontextualização de pequenas respirações, fonemas, notas desafinadas e improvisos, que são esticados até virarem composições.

Archaeology of Intimacy é constituído de uma paleta sonora relativamente estreita: além da voz, entram em cena alguns sintetizadores e contrabaixo. Tudo isso é processado por filtros e algoritmos eletrônicos até a música final soar como se fosse feita por um ciborgue. A sensação é de que, depois de um input orgânico, a música passa a ser gerada processualmente, como se feita aleatoriamente por uma máquina.

O álbum combina a meticulosidade composicional de Forsberg com um senso melódico e uma navegação nerd por processos de síntese eletrônica. Aventurando-se em terrenos mais convencionais – que ela chama de música pop, apesar de estar longe do mainstream – consegue criar um lugar aconchegante em meio ao insólito: um excelente álbum de música ambiente onde o ambiente é, estranhamente, o próprio corpo humano.

(Archaeology of Intimacy em uma faixa: Slowa (Not Saying a Word))

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Autor:

é músico e escreve sobre arte