Resenhas

Marulho – Marulho

Trio paulistano trabalha Psicodelia em músicas feitas para shows multimidiáticos

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Ano: 2015
Selo: Indepen
# Faixas: 4
Estilos: Rock Psicodélico
Duração: 14
Nota: 3.0

O trio paulistano Marulho investe em uma experiência multimidiática que vai além do som em suas apresentações ao vivo, daí a dificuldade de comentar seu EP homônimo (já que cada uma das quatro faixas passa por uma ressignificação quando colocada ao lado de outras linguagens artísticas). Ao ouvinte que nunca viu a banda no palco, resta escutar as músicas como se fosse um disco qualquer, ou aceitar o arriscado desafio de tentar preencher suas lacunas com a imaginação.

Marulho começa com uma faixa também chamada assim e mostra sem timidez as principais características do projeto – aquelas usadas para catalogação: Psicodelia, letras em português, faixas que passeiam por diversos momentos bem específicos. Em uma boa escolha de timbres, é fácil deixar-se envolver pela melodia enquanto algumas palavras dos versos saltam aos ouvidos com naturalidade.

Em seguida, Interlúdio cumpre seu papel nominal ao mesmo tempo em que trabalha a identidade do trio como um projeto de Psicodelia. Entretanto, é Circo (O Dia Que a Rotina Cessou) que mostra o real valor da banda com uma música discreta que ganha sua força em sua progressão e a cada vez que é escutada.

Para terminar, Dalí, a mais longa das quatro, possui momentos instrumentais esparsos que favorecem o suporte de outras artes no palco e na mente correndo livre no amparo dos fones de ouvido. É provavelmente a que mais impressiona das quatro por um carisma natural e pela grandiosidade que apresenta.

Ouvir Marulho mesmo sem o suporte visual dos shows é uma experiência sempre válida e dá vontade de ver o que acontece no palco durante seus shows. Enquanto o ouvinte não tem essa oportunidade, fica a impressão de uma banda que sabe trabalhar bem sua proposta e, visto que não esconde sua identidade brasileira e herdeira do som feito em nosso território, se mantém relevante em um cenário tão formatado. Que venha mais arte, principalmente em música.

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BOM PARA QUEM OUVE: Boogarins, O Terno
ARTISTA: Marulho

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.