Resenhas

Mary J. Blige – The London Sessions

Décimo terceiro disco da cantora muda o seus rumos e a aproxima da música eletrônica

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Ano: 2014
Selo: Capitol
# Faixas: 12
Estilos: R&B, House
Duração: 45:34
Nota: 3.5
Produção: Rodney Jerkins, Craze and Hoax, Naughty Boy, Disclosure, Jimmy Napes, Sam Romans, Eg White

Mary J. Blige pode ser considerada, dentro da superestimada categoria, uma “diva”- um termo um tanto abstrato, mas podemos dizer que passa a ideia de “poder”, conseguir superar problemas da vida com maestria como, por exemplo, o término de um relacionamento (como fez Adele em 21) ou simplesmente ter a simpatia e categoria para fazer todos te admirarem (como uma Beyoncé). No entanto, estamos lidando com a “rainha do R&B”, dona de mais de 50 milhões de cópias vendidas, mas que patinou nos seus últimos trabalhos.

Seu disco natalino A Mary Christimas e a sua composição completa para o filme Think Like a Man Too tiveram as piores performances de vendas em sua carreira. Ao mesmo tempo, sua participação no disco Settle da dupla Disclosure conferiu-lhe um novo status, uma nova possibilidade na carreira: mutação. Sua voz sempre foi um ícone pela sua capacidade de expressão, acessibilidade e delicioso timbre, no entanto, residia confortavelmente dentro do celeiro do R&B, Soul e Hip Hop . Logo, o Garage House do duo britânico a levou para as pistas de forma moderna, conseguindo capturar a sua essência mesmo fugindo do seu domínio.

The London Sessions é a experiência londrina da seminal cantora com a cena local – “muito mais vívida e livre, como costumava ser nos EUA”, como afirmou no período de gravação. É a mudança para que seu trabalho alcance outros voos sem perder sua identidade, como mostra nas faixas Doubt, Not Loving You e When You’re Gone, resquícios de seu romantismo e puro R&B. Muda os rumos em Therapy, com Sam Smith, para versar “Why would I spend the rest of my days unhappy, why would spend the rest of this years alone when I can go therapy?” no meio de uma orquestração que enaltece a música negra em um Blues descontruído. A composição conjunta não conta com o vocal do cantor famoso por sua participação em Latch do mesmo duo citado, no entanto mostra em poucos minutos o sentido de ser considerada uma diva.

O que muda o seu histórico começa com Right Now, faixa conjunta com Disclosure – produção perpectível pela sua bateria mínima, pegada House e o fato de transformar a voz de Mary em uma deliciosa balada, perfeita para um momento downtempo em um clube. Continua com Follow, que poderia muito bem ser um faixa perdida do duo. Seu baixo característico aparece aqui e traz a cantora muito mais próxima do público jovem – saindo do conforto de quem cresceu junto ao som da cantora. No entanto, se engana quem pensa que esta parceria é que dá liga ao trabalho como um todo.

A participação de outros jovens produtores e artistas britânicos, como Naughty Boy na extremamente sensual Whole Damn Year, lhe coloca novamente dentro do Hip Hop em umas das melhores músicas que tangem o estilo no ano, ao mesmo tempo em que Long Hard Look parece voltar aos seus tempos aúreos em uma faixa que poderia ser facilmente confundida com algo que Beyoncé fez recentemente, mesmo que a inspiração seja inversa.

O grande valor do disco reside em sua capacidade de mostrar uma nova Mary J. Blige – consciente de que precisava mudar para continuar revelante e não perder o título de diva. O faz de forma moderna, bebendo das fontes do Garage House que Disclosure ajudou a popularizar recentemente, enquanto trouxe outros jovens talentos para compor um disco que transpira o estúdio, o ao vivo, mesmo possuindo tantas composições “sintéticas”. Por onde começar? Pick Up, com um loop de saxofone e pianos típicos da EDM, que fazem da faixa o seu próximo single, sem dúvidas, como se a cantora voltasse aos anos 1990, quando ajudava a fazer o R&B renascer e escolhe, entretanto, cantar em atos de música Eletrônica. O resultado não poderia ser mais surpreendente e nos faz pensar que, apesar do abuso da palavra, poucas mulheres conseguem ser divas como a cantora do Bronx.

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BOM PARA QUEM OUVE: Usher, Aloe Blacc, Janelle Monáe
ARTISTA: Mary J. Blige
MARCADORES: House, R&B

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.