Resenhas

Matmos – The Marriage of True Minds

Dupla americana usa a telepatia como temática e abusa do experimental para produzir álbum de nove faixas e pouca maturidade

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Ano: 2013
Selo: Thrill Jockey
# Faixas: 9
Estilos: Experimental, Electronic, Techno
Duração: 49:56
Nota: 2.5
Produção: Matmos

Drew Daniel e Martin Schmidt, os americanos por trás de Matmos, talvez sejam umas das mentes mais perturbadas de toda cena. A dupla tem nome consolidado por criar obras experimentais em cima de temáticas que são escolhidas a dedo. Lembrando do que tivemos em 2001, com A Chance to Cut is a Chance to Cure, um álbum todo feito com gravações em cima de procedimentos cirúrgicos, A Marriage of True Minds não parece tão bizarro. Trata-se do resultado de um experimento de quatro anos focando no estudo e execução da telepatia. O álbum é um compilado de recortes e colagens de tudo o que resultou das sessões de alguns voluntários que fizeram parte do Experimento Ganzfeld. Desde formas até sons foram usados para decifrar o conceito que o duo quer passar com a obra. A “bricolagem” musical resulta num liquificador tão grande de gêneros que fica difícil de catalogá-lo, mas é possível enxergar uma aproximação do Techno, Post Dubstep e UK Garage.

O trabalho tem nove faixas, em sua maioria longas, transitando em estilos bastante diversos, contendo a colaboração de Dan Deacon e Angel Deradoorian do Dirty Projectors. You, que inicia o álbum, é a mistura ideal entre a pesquisa e a música, trazendo um ritmo que sustenta os sussurros durante da faixa. Saimos da sanidade para entrar em Very Large Green Triangles que mais se parece uma obra de arte de um sanatório, dando margem à loucura, sintetizadores inconstantes, corais e pianos incitando a confusão mental. Se tratando de um estudo, faixas como “Mental Radio” mostram coerência a partir da instabilidade entre a tranquilidade de um som aquático e o caos com sirenes de ambulância e helicópteros.

A inconsistência se mantém em In Search of a Lost Faculty, que mais parece um registro cinematográfico de fatos reais que mostra a agonia e o bizarro da telepatia, com progressões que insultam o suspense como num filme de terror e fogem do conceito musical que se esperava. A parte mais sã de todo “casamento” se dá com Teen Paranormal Romance que traz uma preocupação estrutural e ritmica e menos conceitual em comparação com as outras músicas, e com Tunnel, mostrando um Techno que não tem medo de se abusar dos loops agudos.

O objetivo da maioria dos produtores do gênero se dá a partir da construção de pequenos pedaços de sons. Conceito, Matmos tem de sobra. Há essa preocupação de ir além da música, do som. O duo inovar sempre no conceito do trabalho, trabalhando sempre em cima de uma temática torna tudo interessante e inédito. O que preocupa é que nem sempre podemos chamar de música o que é feito, e bate na tecla do que calouros geralmente pecam: excesso de experimentalismo. A mensagem é passada, mas de uma forma cansativa e nem sempre eficaz. É o caso de boa parte do trabalho de Matmos. O trabalho saiu de uma simplicidade incrível porém muito mecanizada para tentar evoluir com uma preocupação vocal maior. Pecou exatamente na falta da tal simplicidade. Se The Marriage of True Minds não for visto nem avaliado como um álbum de duo de música eletrônica, nem como nono álbum de um duo veterano, é possível ver uma habilidade incrível de transformar conceito em música, cinema em ritmo. Com certeza um trabalho que, se visto como estudo, brilha na originalidade e unicidade.

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ARTISTA: Matmos

Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King