Resenhas

Maximo Park – Risk To Exist

Dança e política dão a tônica de novo disco da banda inglesa

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Ano: 2017
Selo: Cooking Vinyl
# Faixas: 11
Estilos: Rock Alternativo, Indie Rock
Duração: 39:24
Nota: 3.5
Produção: Tom Schick

A julgar por algumas canções – a maioria, na verdade – presentes em Risk To Exist, sexto álbum do quarteto inglês Maxïmo Park, bandas e artistas estão voltando a falar sobre política. Ainda não é um engajamento partidário ou muito organizado em termos ideológicos, mas é possível entender essa manifestação como o sentimento de que algo de muito errado está havendo com o mundo. A partir disso, opiniões sobre guerra, ecologia, divisão de riqueza, injustiça social se mesclam e formam conteúdo para boas letras, que completam boas melodias e arranjos legais. Dessa forma, não há nenhuma faixa fraca neste álbum, com uma boa média de momentos bem legais.

A maior virtude de uma banda 00 é saber extrair boas e originais ideias da argamassa sonora que reveste a música que todas parecem fazer, a saber, recriação aplicada de New Wave/Pós-Punk oitentista, com ênfase variando de clima e privilégio de teclados ou guitarra sobre baixo e bateria, uma regra que vale para The Strokes, Interpol e, sei lá, Foals, apenas para tentar cobrir um espaço entre formações que parecem fazer coisas bem distintas em seus álbuns. Maximo Park está inserido neste contexto, com especial dedicação às melodias mais dançantes. Esta vertente sacolejante parece ter ficado mais evidente neste novo álbum. Várias faixas exibem desenvoltura com riffs espertinhos de guitarra, que dialogam bem com baixo e bateria, criando uma boa massaroca sônica, quase sempre capaz de permitir algum remelexo em pistas de danças menos engajadas.

Alguns momentos do disco são deslavadamente 80’s, o maior dele é, sem dúvida, a levada bonitinha de I’ll Be Around, com pianinho de fundo, bateria quebrada e uma melodia que escritores hypados diriam ser “confortável”. Na verdade, tal canção mostra como é possível explorar esse tesouro exposto da década dos yuppies com elegância e certa originalidade. Get High (No, I Don’t) já tem uma levada mais malandra, ênfase no baixo/bateria e vocais mais próximos de algo que Robert Smith (The Cure). Logo após, reforçando essa tendência dançante, vem What Equals Love, que comunga ótimo riff de guitarra com uma letra sobre o amor, não apenas o romântico, mas o fraterno, o entre iguais, outras formas que podem tangenciar a amizade e a afinidade entre as pessoas e os povos. Não é chato, pelo contrário, é necessário falar sobre.

A faixa-título já evoca esta noção superficial sobre o andamento estranho das coisas no mundo e a expressa sob a forma de que “há riscos para existir hoje em dia”, talvez uma engenhosa construção para atingir um público que não está muito a fim de refletir mais detidamente sobre questões mais sérias, mas que ficará com a proverbial pulga atrás da orelha. The Hero é outra canção sacolejante, dessa vez com uma desenvoltura maior na levada, mostrando uma ausência total daquele desconforto que algumas bandas de Rock exibem quando se permitem fazer algo mais desencanado e voltado para as pistas. O encerramento do álbum se dá com a fofa Alchemy, catártica e pinta de crescer ao vivo.

Maximo Park não faz um disco inesquecível em Risk To Exist, mas destaca-se pela absoluta certeza no que dizer e em como fazer isso. Não abre mão de traços interessantes de seu trabalho e, paradoxalmente, reafirma sua posição com um feixe de canções leves e sérias ao mesmo tempo. Boa pedida.

(Risk To Exist em uma música: What Equals Love)

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.