Maxïmo Park – The National Health

O quarto disco do grupo supera todos os erros cometidos em seu álbum anterior, “Quicken the Heart”

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Ano: 2012
Selo: V2 Records
# Faixas: 13
Estilos: Indie Rock, Post-Punk
Duração: 40:22
Nota: 3.5
Produção: Gil Norton

Desde o fraco Quicken the Heart (2009), o Maxïmo Park se encontrava em um hiato em que tomou um tempo para se reerguer do tombo. Enquanto isso, o vocalista Paul Smith trabalhou em seu disco solo, Margins (2010), que se mostrava mais expansivo que seus trabalhos anteriores com banda e que indiretamente trouxe um novo fôlego ao The National Health. O disco é melhor que seu antecessor e tenta resgatar a energia e grandiosidade dos primeiros trabalhos do grupo, mas sem soar como uma cópia.

Se você nunca gostou de Maxïmo Park, ele não vai te fazer mudar de ideia e, se você acompanha os ingleses há algum tempo e queria aquele som de 2007 de volta, infelizmente, não vai acha-lo aqui também. O que você encontra neste álbum é uma banda que amadureceu com seus erros e que vem renovada em um trabalho diferente. Porém não inteiramente diferente, já que o grupo recorre a elementos que deram certo nos discos anteriores e, é claro, foge dos que não deram – as letras inteligentes e por vezes ácidas são bem presentes assim como os refrãos com uma carga de significância muito grande, talvez os melhores da carreira do quinteto.

O disco começa em uma forma de desabafo: When I Was Wild abre-o guiado pelo piano e pela voz de Smith, que em um tom sereno parece querer exorcizar os demônios de 2009. A música de aproximadamente um minuto acaba em alguns segundos de silêncio que dá ligar ao que é, de fato, o começo do disco com a faixa que dá nome ao mesmo. Esta, com cara de protesto, faz uma crítica à sociedade inglesa em uma canção que se apresenta explosiva desde o começo, cheia de fúria e distorção – o que faz todo sentido, se encaixando perfeitamente no tom raivoso da letra.

Existem mais alguns fatores que contribuíram para a mudança neste álbum: em mais de dez anos, este é o primeiro álbum gravado fora da Warp Records, além dos elementos eletrônicos encontrados e voz de Smith, que se mostra mais elástica e adaptável – como em Hips And Lips e Reluctant Love, em que ela se molda em algo mais harmonioso e calmo, ou em Wolf Among Men, que se mostra mais roqueira e vigorosa.

As letras passeiam quase que entre duas temáticas antagônicas: os protestos, de The National Health e Banlieue, que se contrapõem às letras amorosas (daquelas paixões que não deram certo) que compõe uma boa parte do disco – The Undercurrents, Reluctant Love e Take Me Home são exemplos de músicas tristes sobre o tema e que fogem da abordagem convencional a ele.

O disco, não dos melhores que a banda já produziu, é um bom reencontro com o sucesso que foram seus primeiros trabalhos. O lado bom deste registro é que o grupo não força um álbum como os antigos nem tenta reconstruí-los revisitando o passado, mas olha para frente e se levanta do tombo com uma energia e vigor incríveis.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Futureheads, The Enemy, The Cribs
ARTISTA: Maxïmo Park
MARCADORES: Indie Rock, Post-Punk

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts