Resenhas

Mayer Hawthorne – Where Does This Door Go

Apoiado no Soul Pop, músico deve conquistar público ainda maior com registro recheado de hits e participações especiais

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Ano: 2013
Selo: Republic Records
# Faixas: 15
Estilos: Neo Soul, Soul, R&B
Duração: 51:55
Nota: 4.5
Produção: Mayer Hawthorne, Pharrell Williams, Greg Wells, Warren "Oak" Felder e Jack Splash
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fwhere-does-this-door

Se em sua estreia com A Strange Arrengement ele ainda galgava por seu espaço com canções menos propensas a hits e mais galgadas em um Soul “de raiz”, o seu processo de evolução e de criação só cresceu com sua consolidação sonora e o aumento da sua rede de contatos desde 2011, com o também coeso e já mais solto, How Do You Do. Se em 2009 Hawthorne escondia seus versos sedutores e contundentes atrás de seus óculos de grau de acetato, um banho de loja e produção ainda mais afiada agora vem como novo patamar junto a Where Does This Door Go, momento em que o músico que já dispõe de um público fiel e aproveita da ascenção do Neo Soul para passar mais gel no cabelo e mostrar ao que veio sem enrolações.

Junto a uma grande equipe de produtores, entre eles o veterano Pharrell Williams, o excesso de Mayer se dá ao apelo Soul Pop. Nunca como antes o músico se arriscou em tantos hits que facilmente poderiam decolar em rádios FM, principalmente os produzidos por Pharrell, como a canção Reach Out Richard, que traz em sua letra a homenagem do Hawthorne a seu pai. Um lugar foi confidenciado também aos que poderiam reagir de maneira oposta a busca do rapaz pelo mainstream em canções harmonizadas e com as já conhecidas guitarras suingadas que rumam aos caminhos já percorridos por nomes como Chic, Earth Wind & Fire e KC and The Sunshine Band através das composições Where Does This Door Go, Back Seat Lover e até mesmo a mais calma All Better.

O estadunidense mostra a boa mesclagem de seus ideais e estilos com o que o que pode ser mais facilmente assimilado. Como exemplo, The Only One e Robot Love trazem vocalizações duplicadas, típicos scratches de DJ e inserções de rápidas rimas de uma maneira harmônica que atualiza o repertório do próprio, que agora parece caminhar sem medo de escorregar e ser condenado por isso. Na categoria parcerias, Crime vai ainda além e traz influências de instrumentos de cordas com um som metalizado muito particular, unindo-se ainda aos versos de Kendrick Lamar que assenta o espaço. Elas poderiam sem dificuldade transitar tanto num disco de John Legend, quanto de Miguel e Usher.

Vale destacar também Her Favorite Song. Com o traquejo-chave do balzaquiano balanceado pelos vocais leves de Jessie Ware como apoio no refrão, ele percorre por todas as nuances sensuais possíveis e deixa de vez o que restava de recluso ao rapaz para que o próprio encarne a pinta de conquistador, como pode ser conferido também em Wine Glass Woman.

Se fosse possível comparar o histórico musical de Mayer Hawthorne a um ambiente de carteado e que cada disco seu apresentado a público fosse uma boa carta que desceu a mesa, sem titubear é que Where Does This Door Go viria como o lance mais certeiro do artista, deixando sem chão seus parceiros de jogo ao revelar que a todo tempo o músico carregava em sua mão uma sequência de sorte aliada a movimentos racionalmente calculados.

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BOM PARA QUEM OUVE: Quadron, Miguel, John Legend, Outkast
MARCADORES: Neo Soul, Ouça, R&B, Soul

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.