Resenhas

Melody’s Echo Chamber – Melody’s Echo Chamber

Em seu primeiro disco Melody Prochet dá ao Rock Psicodélico uma versão caleidoscópica e sonhadora

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Ano: 2012
Selo: Fat Possum
# Faixas: 11
Estilos: Rock Psicodélico, Dream Pop, Shoegaze
Duração: 44:25
Nota: 4.0
Produção: Kevin Parker

A “reciclagem” no mundo da música não é um fenômeno nada atual, um bom exemplo disso é o Pop, que tem suas bases construídas de elementos “reaproveitados” de gêneros que o precederam, fazendo com que suas músicas às vezes soem muito parecidas. E isso não é diferente do que acontece com a Psicodelia, que nos últimos anos ganhou tantos representantes e resgates, cuja produção pode soar como um “mais do mesmo”. Mas, ainda assim, existem trabalhos que valem a pena ser dissecados e examinados com mais atenção, de artistas que imprimem sua cara ao que fazem e o tornam mais do que eu um mero revival. A parisiense Melody Prochet, com seu projeto Melody’s Echo Chamber, é uma prova disso.

Seu disco de estreia é uma projeção caleidoscópica e Psicodélica em cima de ritmos como Dream Pop e Shoegaze. Multifacetado e multicolorido, o registro se mostra completo desde o inicio, preenchido de boas sonoridades e referências, como a do The Beatles, que além de servir como inspiração sonora, permeia também o lirismo de Melody. Não sei se para conter a vibe expansiva ou se para aumentar ainda mais os horizontes do álbum, Kevin Parker (principal nome por traz do Tame Impala) foi chamado para produzi-lo.

A abertura com I Follow You mostra só uma das facetas deste trabalho. Com uma guitarra suingada e leve, ela abre o disco com uma vibe ensolarada e amena, quase que como uma versão lisérgica do Best Coast de 2009. A canção serve pra nos apresentar uma das maiores qualidades deste álbum: a doce voz de Melody, assim como as belas harmonias que ela cria sobrepondo seu vocal em várias camadas. O primeiro single, Crystallized, soa mais agressivo, mesmo dentro do universo do Dream Pop no qual ela se insere. Com uma forte linha de baixo e batidas eletrônicas, que parecem “borrar” o som, a música apresenta mais dos elementos que ouviremos daqui pra frente.

Aí surge You Won’t Be Missing That Part Of Me que é, sem dúvidas, um de seus possíveis hits. Ela traz uma série de pirações com o sintetizador (que parece ter sido ideia de Kevin Parker, que também resolveu brincar com o instrumento no novo álbum de sua banda) que se unem à melodiosa voz de Prochet, a fazendo deliciosamente Pop. Mais adiante, nos deparamos com Endless Shore, talvez a música que melhor resuma o disco, na qual os vocais hipnóticos de Melody, que por vezes se desmancham ao som das guitarras ou sintetizadores, nos contam a suas viagens de uma forma sublime.

A primeira letra em sua língua nativa vem em Bisou Magique, que tem um apelo do Dream Pop muito forte e que parece ganhar uma aura ainda mais sonhadora somente pelo fator linguístico. Quand Vas Tu Rentrer? segue essa mesma linha, em que os vocais em francês dão um toque ainda mais apaixonante à música. O clima lúdico e sonhador é potencializado em Be Proud Of Your Kids, faixa que encerra o disco e que conta com a inserção de uma voz infantil, gravada provavelmente enquanto a tal criança brincava.

Ao longo de suas onze faixas, Melody’s Echo Chamber se apresenta como uma obra sólida, que mostra em suas varias facetas diferentes nuances de um gênero que já foi experimentado de inúmeras maneiras. Sua maior qualidade é fazer essa “reciclagem” de uma forma muito orgânica e natural, dando a sua cara ao trabalho.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts