Resenhas

Merz – No Compass Will Find Home

Em mais de quatorze anos de carreira, este é ainda o quarto disco do músico, que se prova tão jovial quanto qualquer iniciante ao criar uma ambientação mista entre Folk e Música Eletrônica

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Ano: 2013
Selo: Accidental Records
# Faixas: 10
Estilos: Eletrônico Experimental, Pop Experimental, Folk
Duração: 40:50
Nota: 4.0

Desde o começo de sua carreira, isso ainda no fim dos anos 90, o cantor e multi-instrumentista Conrad Ewart Lambert, mais conhecido como Merz, tinha, segundo os jornalistas musicais da época, um futuro promissor dentro do mainstream e não demorou muito para o cara ter um contrato com uma das grandes gravadoras inglesas. Seu misto entre Folk e Música Eletrônica não chegou ao topo das paradas e a hype logo se desfez, porém a qualidade de seus trabalhos convenceu o público alternativo, que ainda hoje abraça cada um de seus novos lançamentos.

Em pouco mais de quatorze anos de carreira, Merz produziu apenas quatro discos, porém sempre mantendo essa identidade enraizada no misto entre os dois estilos que parecem não ter tantas ligações, mas que em suas mãos ganham forma em músicas cativantes, que por mais que façam uma mistura não tão usual, não nos deixam com aquela sensação de estranheza.

Seu quarto disco, No Compass Will Find Home, navega entre os dois extremos, porém passa grande parte do tempo sobre águas turbulentas do Pop Eletrônico. E faz isso sem deixar o Folk de lado, colocando elementos do estilo, como arranjos de cordas e uma instrumentação rica, em meio às batidas e texturas puramente computadorizadas.

Ainda que não cause estranheza, esse é um álbum profundamente esquizofrênico e é bem difícil achar um parentesco entre as faixas. Em seu decorrer, você irá perceber elementos do Pop Folk, texturas e interlúdios de Ambient Music, ritmos e batidas nada convencionais, além de guitarras e sintetizadores que constroem ótimas melodias. Isso faz dele um álbum complexo e difícil de categorizar, mas de maneira alguma tira sua acessibilidade e a sensação divertida de ouvi-lo. Faixas como Judge mostram muito bem o amálgama que o músico cria com diversos elementos e sonoridades – tudo isso já com a ideia de que o produto final se torne acessível.

Em faixas como Toy ou Eudaimonia, que estão voltadas para música eletrônica, Merz cria ambientações repletas de batidas pesadas e diversas texturas que se juntam às guitarras enérgicas ou sintetizadores vintage. Já em outras, como, a já citada, Judge e Goodbye My Chimera, Conrad parece encontrar um meio termo entre a vibe eletrônica e o Pop, aliando a isso letras inteligentes e uma instrumentação encorpada – o que cria músicas dançantes, mas não daquelas que você ouvirá nas grandes baladas espalhadas pelo mundo.

Em meio a tantas mudanças, ainda há espaço para faixas singelas como Arrows e The Hunting Owl, que quebram o clima eletrônico e trazem de volta os contornos Folk dos discos anteriores de Conrad. Guiadas pelo violão, elas não precisam de muito mais do que ele e um acompanhamento vocal para conquistar o ouvinte.

Como já dito, este é um disco difícil de ser categorizado, porém muito fácil de ser ouvido e aí reside seu maior atrativo. A sensibilidade do músico em criar a justaposição de estilos tão diferentes em músicas que ainda assim tem um grande potencial Pop é uma de suas maiores qualidades, que nesta obra se prova quase inalterada, se não ainda mais apurada, que em seu começo de sua carreira.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts