Resenhas

METZ – II

Trio repete fórmula de seu primeiro disco e adiciona ainda mais abrasividade

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Ano: 2015
Selo: Sub Pop
# Faixas: 10
Estilos: Noise, Noise Rock
Duração: 29:52
Nota: 3.0

Que o Rock perdeu seu poder midiático e está surfando o vale da onda já há uns bons 20 anos não é segredo para ninguém, porém alguns “profetas” dizem que o Garage Rock será o messias da vez e reestabelecerá o estilo como um bastião da juventude, sendo digno novamente de legiões de fãs e de um espaço gigantesco na mídia. Sou bem cético a essa posição, não por não acreditar no potencial do gênero (ainda mais quando ostenta figuras como Ty Segall e Thee Oh Sees como seus representantes), mas por simplesmente ver que não há mais unanimidades no mercado musical como existiam quando Nirvana imperava como símbolo de uma geração.

Duas décadas se passaram e o mercado está dividido em incontáveis nichos. O trio canadense METZ (apesar de um represente, digamos, mais extremo do Garage Rock) existe mais para alimentar um desses nichos do que se erguer como um “novo Nirvana”. II é uma prova disso. Apesar das comparações com a banda de Kurt Cobain, não há como negar que o trio cria algo bem menos palatável e, é claro, não há problema algum nisso. Os canadenses parecem muito bem resolvidos com seu som brutalmente barulhento e agressivo, ao ponto que este álbum se torna tão ruidoso, se não é mais, que seu antecessor, METZ.

A fórmula do debut permanece praticamente a mesma: quase meia hora de músicas com muito do Noise e Punk, poucas delas sequer passam dos três minutos e todas se empoderam a partir do vocal rasgado de Alex Edkins, dos riffs perfurantes Chris Slorach e Edkins e da bateria sem firulas de Hayden Menzies. Som sem grandes frescuras ou uma produção requintada, mas que faz muito bem seu trabalho. Quase como um diamante bruto, sem ser lapidado, a beleza do trabalho não está na cara de mundo, mas nos olhos de quem o vê. E mesmo a produção em um grande estúdio – consideravelmente mais detalhada que a vista em METZ, até mostrando um sintetizador em algumas faixas -, não foi capaz de tirar a abrasividade do grupo. Sua música ainda soa como a perda do ar após um soco na boca do estômago.

O som do trio continua visceral, errático, pujante e a abertura com Acetate não me deixa mentir, o single Spit You Out confirma e Nervous System atesta. As qualidades continuam as mesmas, assim como os pontos fracos. II é um título que diz muito sobre o disco, sobre ser continuação de um trabalho, sobre ser sequência, uma espécie serialização, mas isso não necessariamente significa progressão. Aqui, o trio basicamente repete o que já mostrou em seu primeiro álbum, o que os faz perder muito daquele frescor e mesmo senso de “novidade” que havia na obra. Ainda assim, valeria a pena ver como ele será transposto aos palcos. Se METZ já rende um show e tanto, ter sua continuação na bagagem certamente fará da apresentação ser ainda mais incendiária.

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BOM PARA QUEM OUVE: Ty Segall, Nirvana, Japandroids
ARTISTA: METZ
MARCADORES: Noise, Noise Rock

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts