Resenhas

Miami Horror – The Shapes EP

Compacto mostra boa reinvenção sonora do grupo

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Ano: 2017
Selo: Independente
# Faixas: 6
Estilos: Electro-Funk, Synthpop
Duração: 23'
Nota: 4.0

Se eu tivesse que definir The Shapes em um só adjetivo, ele seria “colorido”. Se a capa do EP já entrega um pouco disso, o play vai escancarar a mudança óbvia na sonoridade do quarteto, agora mais divertida, dançante e oitentista (se isso é que isso é possível conhecendo a carreira do grupo). O compacto é um passo adiante em relação a All Possible Futures, 2015. Na verdade, um passo em uma direção quase contrária.

O lado bom é que ao invés de alienar seu ouvinte antigo, o grupo convida a quem já conhece e os marinheiros de primeira viagem a uma experiência bastante positiva já com sua abertura: Sign Of The Times. A intensidade da faixa vem na medida certa para apresentar o clima de toda obra. Suas guitarras suingadas, baixos pulsantes e sintetizadores bastante melódicos criam um clima retrô que foge das produções antigas da banda, mas não da proposta de reciclar sonoridades vindas dos anos 80.

A mesma energia continua presente em Trapeze, que parece buscar inspiração no Synthpop de bandas como Duran Duran ou Talking Heads. Se por um lado o apelo nostálgico é bastante evidente, a modernização desse estilo também fica patente. O principal single do álbum Leila (que ganha uma versão em espanhol ao fim do EP) é bastante pegajosa e se apoia mais uma vez no clima oitentista, desta vez porém pegando inspirações do Electro-Funk e Neo-Soul.

Azimba é uma das músicas mais curiosas do compacto. Ela usa esses mesmos elementos dançantes e alegres mas mistura com tradições africanas e sons vindos do Afrobeat moderno. Dark Love também bebe da fonte do Funk, tendo um interessante misto entre guitarra à la Nile Rodgers, com baixos bastante focados no groove e uma miscelânea de timbres vindas dos sintetizadores que fazem um bom plano de fundo para as vozes da canção.

O resultado é bastante interessante e que busca em antigas tradições novos meios de continuar expandindo o som retrô da banda. Se a fórmula antiga estava se esgotando em autorreferências nos outros lançamentos do grupo, The Shapes foi um bom respiro e um possível caminho para a reinvenção.

(The Shapes em uma faixa: Leila)

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BOM PARA QUEM OUVE: Breakbot, Cut Copy, Duran Duran
ARTISTA: Miami Horror
MARCADORES: Electro-Funk, Synthpop

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts