Migos – Culture II

Aclamado trio de Atlanta repete a fórmula de disco anterior

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Ano: 2017
Selo: Quality Control, Motown, Capitol
# Faixas: 24
Estilos: Hip Hop, Trap Rap
Duração: 106:18
Nota: 3.0
Produção: Quavo, DJ Durel, 808 Godz, Buddah Bless, Cardo, Cubeatz, D Shine, Deko, Dun Deal, Earl, Figurez Made It, FKi, Honorable C.N.O.T.E., JSDG Beats, Kanye West, Manny Flexx, Metro Boomin, Murda Beatz, Nonstop da Hitman, OG Parker, Pharrell Williams...

A premiação do Grammy que aconteceu há poucos dias deixa claro como, para alguns setores, o que interessa na música tem menos a ver com critérios estéticos e mais com sua capacidade de interagir com o mercado. A premiação, afinal, parece ser um meio do caminho entre “os destaques do mercado fonográfico por índices técnicos e um concurso de popularidade hollywoodiano”. O fenômeno Migos, trio vindo da cidade de Atlanta, formado pelos rappers Quavo, Takeoff e Offset, que ascencionou em pouco tempo para o panteão de estrelas do mainstream, é uma excelente ilustração desse universo.

Culture, álbum lançado no ano passado pelo trio, e então ganhador do Grammy, fez por merecer o seu nome, na medida em formatou um estilo de Rap feito para a aclamação do grande público, espalhando-se como um viral pelo mundo do Hip Hop. Culture II, que agora chega até nós, pode ser entendido como uma extensão de seu antecessor, que não mexe na lógica de sucesso atingida pelo grupo.

Culture II, assim como tem acontecido em diversas vertentes no mundo da música quer chamar a atenção pelo excesso. São 24 faixas que somam 106 minutos de duração, que garantem visibilidade – e streamings o suficiente – para que o grupo continue com o nome entre os mais bem cotados da indústria. Uma audição vai notar que a quantidade de faixas, minutos e participações especiais são um exagero, ainda mais por conta da reincidência que temos por aqui: Culture II não apenas repete a fórmula de seu antecessor, repete-se indefinidamente dentro de si mesmo.

As letras pouco fazem para superar os clichês do trio. Herdando o interesse pelo Bling Ring dos anos 90, e vindo de uma linhagem cronológica pós Lil Wayne, Migos rima insistemente sobre relógios, grifes, carros e cocaína. A ostentação aparece também na lista de produtores e convidados , que conta com gente do quilate de Kanye West, Drake e Pharrell. A vibe, no entanto, é o maior trunfo do grupo, que é como uma encarnação do Trap Rap, juntando batidas chicletentas às vozes de ressaca do trio.

A cadência incessante de interjeições – ah!, uh, brrr, skrrt – unida ao autotune e ao “Migos flow”, formatam um universo muito próprio do grupo, e acabam envolvendo o ouvinte no seu ritmo pontiagudo. No meio de tanto material, vale a pena atentar para os pontos mais para fora da curva dentro do trabalho, como Stir Fry que dá uma chacoalhada na fluência costumeira do trio, nos trejeitos melancólicos de Too Much Jewelery ou na produção Culture National Anthem que tenta flertar com o Jazz.

É verdade que Migos criou um novo status para o rap contemporâneo. Se a indústria molda as tendências do mainstream, Migos, com sua música cheia de jargões apropriou-se deste universo e prospera como uma força comercial. Culture II contém todas as fórmulas para que Migos, ao menos por enquanto, continue a ser um fenômeno viral de popularidade.

(Culture II em uma música: Walk It Talk It)

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BOM PARA QUEM OUVE: 21 Savage, Lil Yachty, A$AP Rocky
ARTISTA: Migos
MARCADORES: Hip Hop, Trap Rap

Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.