Resenhas

Miike Snow – III

Terceiro trabalho encontra-se em fase frágil, porém acerta na inventividade Pop

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Ano: 2016
Selo: Atlantic Records
# Faixas: 10
Estilos: Indie Pop, Rock Alternativo, Synthpop
Duração: 36:40
Nota: 3.5
Produção: Miike Snow

O retorno de um hiato é um momento delicado na história de um artista. Ele pode ser um divisor de águas, propondo releituras e experimentando novas sonoridades, mas também pode ser uma atitude apressada. Dentro destas possibilidades, Miike Snow é uma das bandas que melhor pode demonstrar esta dualidade, principalmente no que diz respeito a como esses dois lados se comportam mais como complementares do que opostos. Vindos de um intervalo de três anos, o trio Indie Pop ganhou algum respeito quando seus singles do disco de estreia rechearam setlists de DJs por festas no final dos anos 2000.

Nada incrivelmente genial, mas o suficiente para provar o talento dos garotos suecos enquanto compositores e produtores. Assim, com o anúncio de um novo trabalho a caminho, surgiram dúvidas sobre como o trio poderia produzir algo que fosse ao mesmo tempo relevante e que também respeitasse o apego Indie de sua identidade. O resultado pode ser simplificado em duas palavras: bom senso.

Terceiro disco da banda, III deixa claro desde o começo que é um registro puramente Pop. É claro que às composições simples e regularmente estruturadas contribuem para isso, mas talvez o que seja mais Pop são os timbres escolhidos: desde baterias programadas, passando por sintetizadores oitentistas, até chegar a melodias que ficam em um limbo saudável situado entre o “pegajoso” e o “instingante”. Mesmo que uma boa parte das músicas acabe nos sugerindo certo ar de automática e leviana, a experimentação de diferentes sons faz com que estas canções medianas fiquem com mais brilho e, por consequência, pareçam mais articuladas do que realmente são.

Chame de truque, ou de engenharia de som, mas o que fica claro em III é como a mudança pós-hiato é uma questão de bom senso: escolhendo que partes do passado valem a pena serem revistas e o que pode ser adicionado com o intuito de tornar o trabalho mais maduro. Um disco que pode trazer boas referências a saudosistas da banda, bem como entusiastas que procuram novas formas de se escutar o Indie Pop: um gênero que ainda encontra forças em bandas tão talentosas quanto Miike Snow.

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BOM PARA QUEM OUVE: Mayer Hawthorne, Jet, Elbow
ARTISTA: Miike Snow

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.