Resenhas

Mitzi – Truly Alive

Com poucos momentos empolgantes, disco de estreia do quarteto australiano segue em uma grande mediocridade copiosa capaz de divertir, mas não de encantar

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Ano: 2013
Selo: Future Classic
# Faixas: 10
Estilos: Nu Disco, Funk, Neo Soul
Duração: 48:12
Nota: 2.0

Eu nunca fui muito fã de futebol, mas, por diversas vezes, assistir a jogos em que uns dos times conseguia construir boas jogadas, mas na hora da finalização jogava a bola longe do gol, era algo realmente desesperador. Assim como esses tais jogos, ouvir Truly Alive, álbum de estreia do quarteto australiano Mitzi, é uma experiência quase tão angustiante.

Em inúmeros momentos, o disco chega muito perto da meta, mas esbarra em alguns problemas, como a falta de personalidade nos sintetizadores, linhas de baixo às vezes cansativas ou repetitivas demais, o vocal muitas vezes apático e, por fim, uma sonoridade demasiadamente derivativa. O álbum até chega a empolgar em alguns momentos, principalmente nos singles All I Heard e Truly Alive, mas no geral se mantém em uma mesma mediocridade sem graça em quase todo seu decorrer.

Usando como combustível Disco, Funk e Soul, o quarteto ainda traz um pouco da Música Eletrônica para criar sua mistura que ora pode lembrar algo que James Murphy fazia em seu LCD Soundsytem, ora os contornos apáticos e sonhadores do Totally Enormous Extinct Dinosaurs, porém sem as unicidades apresentada pelos dois projetos. O tempero Pop salpicado aqui e ali completa sua mescla genérica, ao colocar alguns bons refrãos e ao criar alguns poucos momentos realmente marcantes, mas nada que consiga deixar clara a personalidade da banda.

Usando mais uma vez a analogia esportiva, o disco manda diversas bolas na trave. Como a simpática Can’t Change Herque apresenta um bom groove e ideias interessantes, mas não consegue desenvolvê-las e, mesmo com a adição dos metais ao fim da canção, ela não apresentam uma mudança realmente significativa e construtiva. On My Mind é outra que se apresenta da mesma forma, com uma construção melódica à la Cut Copy – a música dá pistas que vai empolgar, porém cresce pouco e bagunça seus diversos elementos, causando certa cacofonia.

Quanto à falta de personalidade, ao longo disco você notar a presença de alguma ou outra influência sendo mais importante que a própria mistura criada pela banda, mas Like It Was soa realmente como uma cópia. A faixa me parece algo que não foi usado no disco de estreia de Orlando Higginbottom. As linhas etéreas de sintetizador, os vocais apáticos e cheios de chorus e até mesmo a forma como ela cresce se mostram quase idênticos ao que foi apresentado naquele trabalho do TEED.

Se o disco realmente fosse um jogo de futebol, o placar final seria a derrota do Mitzi para suas próprias influências. Ainda que proporcione um bom divertimento e alguns (poucos) momentos empolgantes, nesta partida, os três pontos foram para o “adversário”.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts