Resenhas

Moby – All Visible Objects

Exercício nostálgico, 17º disco tenta resgatar sons do período mais efervescente da carreira do nova-iorquino

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Ano: 2020
Selo: Little Idiot, Mute
# Faixas: 11
Estilos: Eletrônica, Dance, Ambient
Duração: 72'
Produção: Moby

Desde que Moby lançou a biografia intitulada Then It Fell Apart em 2019, recontando sua ascensão à fama no final dos anos 90 – em uma narrativa que foi interpretada como intensa, polêmica e até mesmo constrangedora –, o artista parece focado em reviver momentos de seu passado. Este All Visible Objects é um exercício de nostalgia que tenta revivê-lo, resgatando alguns estilos musicais em evidência na época de seu ápice como produtor.

O título do disco e o próprio codinome de artista vêm emprestados do romance Moby Dick, de Herman Melville, que é tio-tetravô de Moby. A razão para a escolha do nome do projeto, no entanto, não é clara. Segundo o próprio músico, aliás, não existem muitos porquês ao longo de All Visible Objects: aqui, o fio condutor é o seu desejo, as coisas são feitas “porque sim”, e não há grandes preocupações teóricas ou conceituais envolvidas na criação das faixas.

“Morningside”, a faixa de abertura, dita o tom de toda a produção que virá a seguir. Ela é uma homenagem à Dance Music que imperava nas rádios FM dos anos 90. A tentativa não é necessariamente de recriar o estilo, mas, sim, de tentar resgatar a sensação que Moby tinha ao ouvi-lo quando era um jovem adulto –dirigindo pelas ruas de Nova Iorque à procura de alguma boate, ou trabalhando na loja de discos onde garantiu o seu primeiro emprego.

Outra vertente do trabalho é a sua clara inclinação política. “Eu sempre adorei músicas políticas, mas nunca fui bom em escrevê-las” declarou o artista. Aqui, Moby aventura-se por músicas ativistas, embasadas pelo veganismo, que argumentam contra o sistema. O discurso é sempre delimitado por palavras de ordem mais ou menos genéricas, inspiradas pelo agitprop.

Em geral, camadas de sintetizador etéreas preenchem todo o espaço. Sobre elas, algum vocal feminino grandioso transporta o ouvinte para uma região muito emotiva. No entanto, All Visible Objects, em suas duas principais vertentes, seja na melodiosa, seja militando a favor da causa animal, parece fazer citações à carreira passada de Moby sem exibir a mesma inspiração daqueles momentos.

(All Visible Objects em uma faixa: “My Only Love”)

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ARTISTA: Moby

Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.