Resenhas

Modern Baseball – You’re Gonna Miss It All

Obra do grupo acaba ofuscada por outros bons exemplos do gênero

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Ano: 2014
Selo: Run For Cover Records
# Faixas: 12
Estilos: Pop Punk, Emo, Indie Rock
Duração: 29:30
Nota: 2.0
Produção: Modern Baseball
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fyoure-gonna-miss-it-all%2Fid796672133%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

Modern Baseball faz parte da herança de um universo vindo do início dos anos 90, que começou a ganhar forma através das bandas de Punk californianas como Green Day ou The Offspring (para citar os maiores expoentes do cenário na época), e evolui por caminhos Indie que passam de Tokyo Police Club a Los Campesinos!

Fazendo parte de um cenário muito favorável para o ressurgimento do estilo (já discutimos bastante sobre isso aqui no Monkeybuzz, e, caso você não esteja acompanhando, recomendo esse artigo para esclarecer melhor essa história) o grupo mescla o Pop Punk, o Indie e o Emo à mesma maneira de uma série do vários bons exemplos que tem alegrado os amantes do cenário, das novas vozes contemporânas ao antigos nostálgicos.

Contudo, infelizmente, fazer parte de um cenário favorável não é suficiente para assegurar a qualidade de sua banda. Modern Baseball faz uma música de colegial, que sai do estilo de vida da classe média branca americana e que canta o estilo de vida da transição para a fase adulta com dramas da primeiridade da fase adolescente. Logo, sua revolta não é muito intensa e suas angústias não são muito graves.

O que, é claro, não é um problema por si só, mas, exagerar a própria revolta dentro de artifícios pré-estabelecidos para o gênero acaba sendo um estratégia ingrata. Se você gosta de Pop Punk ou de Emo já deve ter ouvido essa sucessão de quatro acordes, essa técnica abafada de tocar guitarra, esses riffs oitavados e aquela virada de bateria em algum lugar. São todos lugares-comuns do estilo que transformam You’re Gonna Miss It All em um pastiche genérico que não almeja nenhum tipo de destaque (é facilmente perceptível, por exemplo, quando o grupo resolve explorar sua capacidade, deixando os pontos altos do disco em evidência, como nas letras e nos arranjos de Notes, tanto quanto na cadência interessante do vocal em alguns momentos do álbum).

Como reflexo sintomático do processo de composição, o grupo mantém em seus temas uma visão sobre o cotidiano rasa, estafada de dramas superficiais. De um modo passivo-agressivo, sempre com muito raiva ou tristeza que alteram subitamente com resignação, as letras literais contam de uma vida em que se têm o cansaço de se estar sempre entediado, de uma namorada que enche o saco por causa do Instagram ou mesmo pela preguiça de almejar algum futuro.

É uma pena topar com uma proposta que, por si só, poderia ser muito interessante, afinal, a crueza do cotidiano e a dureza da falta de lirismo podem encaixar perfeitamente com os labirintos indecifráveis dos relacionamentos ou da falta de perspectivas da vida pós-adolescência. Mas, infelizmente, o álbum se perde nas fórmulas fáceis e na proposta genérica de sua música. O surgimento de tantas bandas interessantes no cenário, neste caso, acabou ofuscando um grupo que parece fazer mais do mesmo.

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Autor:

é músico e escreve sobre arte