Resenhas

Modern Studies – The Weight of the Sun

Fundamentado em tradições do Folk, repertório reuni qualidades de trabalhos anteriores a uma (tímida) vontade de ir além

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Ano: 2020
Selo: Fire Records
# Faixas: 12
Estilos: Folk Rock
Duração: 46'

Diretamente de Glasgow, o quarteto Modern Studies reuniu algumas boas qualidades que construiu ao longo da carreira e uma vontade de dar um passinho além. O resultado é seu terceiro álbum, The Weight of the Sun, que coloca em prática o legado de Folk Rock que há algum tempo não está em evidência.

Não só por isso, há uma cara atemporal ao longo das 12 faixas do disco. Se a relação entre mixagem e masterização parece sugerir uma gravação ao vivo – os timbres têm cara bastante orgânica, como se estivessem sendo tocados ao mesmo tempo um ao lado do outro –, ela também ignora muitos recursos que grande parte das bandas e artistas, do mais vanguardista ao topo do mainstream, se aproveitam nas produções de discos atuais.

Para além do tratamento sonoro com cara de algo “não tão de hoje em dia assim”, a dinâmica dos dois vocalistas cantando frases melódicas quase sempre muito próximas carrega algo que atravessa não só décadas, mas até séculos. Os dois juntos guiam os instrumentos pela narrativa musical sem recorrer a recursos ou adornos em técnica vocal ou pós-produção.

É simples, mas combina com o conteúdo Romântico das letras. Elas trazem figuras de linguagem retiradas da natureza, muitas delas grandiosas (a começar pelo título do disco). Seguindo a linha tradicional do Folk, são canções que se propõem a comunicar mensagens bastante próximas aos sentimentos humanos com nossas experiências convivendo com os outros, com o mundo ao redor e com quem nós somos por dentro.

Daí esse conteúdo ser tão bem amparado também por uma ambientação mais orgânica, de banda completa, com alguns timbres extras muito bem escolhidos – como os instrumentos de sopro em “Sign of Use”, facilmente um dos pontos altos do álbum. Músicas como “Heavy Water”, “Jacqueline” e “Brother” mostram como Modern Studies dialoga bem com a sonoridade que se propõe a fazer, deixando em alguns momentos um lado mais tradicional do “Rock” no “Folk Rock” falar um pouco mais alto, o que só contribui à sensação atemporal da obra.

O que temos no fim é um álbum de músicas bonitas feito por uma banda que quer sempre caprichar, mas que parece ter colocado um teto muito baixo para o alcance das suas músicas. Isso por escolher trabalhar de maneira tão convencional dentro de uma tradição musical que, ainda que de certa forma respeitada, comunica pouco ou nada às novas gerações, tão acostumadas a novidades. Em outras palavras, é um trabalho que chega na contradição de ser um lançamento sem nenhuma novidade.

(The Weight of the Sun em uma faixa: “Heavy Water”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.