Resenhas

Mono – The Last Dawn

Banda produz um bom disco, porém peca pelo excesso de clichês do gênero

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Ano: 2014
Selo: Temporary Residence/Pelagic
# Faixas: 6
Estilos: Post-Rock, Ambient Music
Duração: 48:23
Nota: 3.0
Produção: Fred Weaver
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/the-last-dawn/id911902454?uo=4

O Post-Rock é um gênero universal. O mais divertido em ouvir composições de dez, vinte ou até trinta minutos é perceber como cada país interpreta este estilo musical, traduzindo-o em um senso estético específico de cada cultura e sociedade em que é inserido. Dentre os países mais relevantes, se insere o Japão, onde temos um contexto muito diferente e, portanto, o som que ouvimos lá é quase sempre algo muito novo e interessante. O Post-Rock Japonês possui excelentes nomes, como Sgt., Euphoria e Ovum, mas o posto de banda mais curiosa e bela deste cenário sempre será ocupado por Mono.

O quarteto é responsável pela composição de um dos discos mais significativos do Post-Rock mundial, fazendo com que Hymn To The Immortal Wind, de 2009, seja uma ótima pedida para fãs de Explosions In The Sky e Mogwai. Neste novo trabalho, a banda arriscou dividir um trabalho em duas partes, sendo a primeira chamada de The Last Dawn, e a segunda de Rays Of Darkness. Com o disco de 2009, qualquer lançamento da banda confere aos admiradores de Post-Rock um anseio grande. Qual não foi nossa surpresa ao ver um Mono muito mais tímido neste novo disco.

O ambiente que permeia The Last Dawn é algo bem mais limpo e concreto do que seus discos passados, nos dando a impressão que a banda resolveu buscar ares menos caóticos e explosivos do que os que ouvimos em Hymn To The Immortal Wind. A introdução suave de piano em Kanata já nos deixa isto claro, assim como os sintetizadores suaves no começo de Where We Begin. Isto não chega a ser uma quebra tão drástica já que ainda estamos lidando com belíssimas e etéreas composições, quase como se fossem uma marca registrada da banda.

A grande questão do disco não é se esta “mudança de ares” é uma coisa boa ou ruim na carreira de Mono, entretanto, quando as composições se tornam mais calmas vemos que a banda começa a parecer um tanto quanto genérica, se assimilando a outros grandes nomes do Post-Rock, principalmente Explosions In The Sky. Para uma banda que outrora nos revelou um disco tão formidável, é um pouco decepcionante ver este tipo de música moldada.

De qualquer forma, a audição de The Last Dawn não deve ser descartada, afinal é um disco muito bonito, com ideias interessante e uma produção impecável. Mas, pedimos cautela, pois não estamos lidando com o mesmo Mono de cinco anos atrás.

Um bom disco de um Mono diferente.

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BOM PARA QUEM OUVE: Ovum, Explosions in the Sky, Mogwai
ARTISTA: Mono

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.