Resenhas

Nação Zumbi – Nação Zumbi

Banda mostra que está mais viva do que nunca, ainda produzindo canções de qualidade

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Ano: 2014
Selo: slap
# Faixas: 11
Duração: 37:46
Nota: 3.0
Produção: Kassin e Berna Ceppas

No ano em que celebra os 20 anos de seu álbum de estreia, Da lama ao caos (1994), a banda pernambucana Nação Zumbi agora volta com seu primeiro disco de inéditas em sete anos, o oitavo de sua carreira. Jorge Du Peixe, que antes ocupava outro espaço no grupo, agora assume a vaga de vocalista, que era anteriormente de Chico Science, antes de seu fatal acidente de carro, em 1997. O grupo volta, depois do lançamento de Fome de Tudo (2007), para mostrar que está mais vivo do que nunca, e ainda produzindo música de qualidade.

O novo álbum homônimo, Nação Zumbi, veio após a banda ter sido patrocinada por um edital do projeto Natura Musical 2013, e é distribuído pela slap, um selo da gravadora Som Livre, o que pode garantir um bom futuro na televisão para algumas das canções do disco, já que esta é ligada a um dos maiores canais abertos de comunicação do país. Com a produção de Kassin e Berna Ceppas, desde seu anúncio, diversas suposições foram levantadas de como seria o novo trabalho, principalmente após o lançamento do primeiro single, Cicatriz. Esta é, na verdade, a faixa que abre a obra e traz uma sonoridade intensa, além de uma letra bem marcante. Tanto esta como a segunda, Bala Perdida, conectam-se ao passado da banda, indo ao mesmo tempo ao encontro com o presente e futuro da mesma.

Um som que parece buscar novos e mais incorpados arranjos e mais profundidade ao longo do registro. Claro que comparações são inevitáveis, mas Chico era Chico e Jorge é Jorge. São propostas completamente diferentes para a banda, tanto em questão de voz, sonoridade, apresentação e interação com o público. Nese quesito, tanto a nova voz quanto fase parecem dialogar bastante entre si, em que Jorge du Peixe e o grupo todo tentam alcançar um público novo e diferente com uma música mais acessível, e com a “alma mais aberta”. Podemos perceber isso com os vários tipos de arranjos e sonoridades, que mesclam diversos gêneros musicais em um só álbum.

A banda parece procurar alcançar um público maior, mais jovem, cativando não só os que já conheciam o trabalho do grupo, mas também os novos ouvintes, apostando assim em algo menos específico, mas que não deixa de perder seu valor, já que as músicas e o trabalho todo apresenta muita qualidade e cuidado. E não tem como pensar que o disco é composto de extremos, com faixas mais carregadas como Foi de Amor, com uma guitarra vibrante e intensa, e outras mais leves e tocantes, como a suave Um sonho.

Mas caso haja uma impressão de que as letras não são tão marcantes, pode ser apenas um pensamento precipitado. A poesia e o lirismo estão ali presentes, se ouvidos com cuidado. Principalmente em faixas como Um Sonho, Novas Auroras e Nunca Te Vi, nas quais os assuntos passam por “sonho dentro de um sonho, acordando sem imagem e sem som, ou comendo o mundo pelas beiradas, respirando fundo, num encontro sem hora marcada” como a letra faz questão de afirmar.

Uma das faixas mais surpreendentes, A Melhor Hora da Praia, conta com a participação de Marisa Monte, e é um dos grandes destaques do álbum, até por não se imaginar que uma canção como esta pudesse ser de uma banda como a Nação Zumbi. A voz de Marisa serve perfeitamente para fazer o balanço do peso dos timbres de Jorge, proporcionando uma experiência sonora leve, mas ainda com uma letra intensa e muito bonita.

Desde seu anúncio, o álbum homônimo da Nação Zumbi recebeu uma atenção, ansiedade e pressão, tanto dos fãs quanto da crítica, que aguardavam por seu tão esperado lançamento. Sem expectativas ou sem saber o que estava por vir, o álbum pode ser caracterizado como um renascimento da banda. Com ele, o grupo ainda mostra que tem muito a oferecer e que agora quer ir mais além, ultrapassando suas próprias fronteiras sonoras, ainda sem perder sua identidade.

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ARTISTA: Nação Zumbi
MARCADORES: Resenha

Autor:

Largadora por vocação. Largou faculdades, o primeiro namorado e o interior. Hoje só quer saber de arte, cinema, música, fotografia e sair correndo pelo mundo.