Resenhas

Neon Indian – Era Extrãna

Apresentando sua Chillwave 2.0, Palomo consegue trazer uma maturidade e sobriedade maior nesse álbum. Passando muito bem por essa fase difícil que é o segundo disco, ele consegue mostrar toda sua versatilidade e maturidade

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Ano: 2011
Selo: Static Tongues
# Faixas: 12
Estilos: Chillwave, Synthpop
Duração: 42:02
Nota: 4.0
Produção: Alan Palomo

Chegamos a uma época em que a maioria dos artistas que se destacaram na onda da Chillwave em 2009, como Toro y Moi e Washed Out, estão lançando seu segundo álbum. Isso se aplica também ao Neon Indian. De 2009 pra cá, o amadurecimento na musica de cada um fica evidente, e também os caminhos que eles levaram seus projetos.

Durante 2010, eles excursionaram com gente importante (Phoenix e Massive Atack) e participaram de muitos festivais, entre eles o Pitchfork Festival. Nesse tempo adquiriram experiência e referências para a gravação do seu segundo álbum. Era Extraña foi gravado em Helsinki, Finlândia em aproximadamente quatro semanas.

Palomo, nessa nova fase, resolve quebrar a barreira da Chillwave, fazendo um som com um ar muito mais profissional e muito menos ingênuo. Esse disco, diferente de Psychic Chasms, debut da banda, não foi gravado em um quarto de forma rudimentar. Esse disco conta com a mixagem de Dave Fridmann, que entre outros já produziu o Innespeaker do Tame Impala, Oracular Spetacular e Congratulations do MGMT e o Of The Blue Colour of the Sky do Ok Go, mas a produção foi feita pelo próprio Alan Palomo.

Era Extraña prova ser um disco muito mais completo e rico que Psychic Chasms. Poderia se dizer muito mais ambicioso que seu antecessor. O disco é carregado de influências que vão do Club Dance ao Eletropop, e ainda brinca com o Shoegaze em algumas musicas.

Já de cara temos o hipnótico e exuberante preludio Heart: Atack, que abre caminho pro grande destaque do disco, Polish Girl, que com seus sintetizadores de 8 bits demonstram onde Palomo quer chegar nessa nova fase, expandindo os horizontes de sua própria música e demonstrando sua maturidade musical. Essa faixa também se assemelha ao Vega, outro dos seus projetos.

Brincando de ser Showgaze em Hex Girlfriend, a banda mostra que não está presa ao estilo que a lançou. A música que dá nome ao álbum traz um clima de nostalgia, remetendo ao Synthpop dos anos 80, lembrando muito Joy Division. Fall Out e Arcade Blues apresentam um lado mais dançante do álbum. A única musica que bebe da fonte de Psychic Chasms é Future Sick, que ainda traz o mais puro Chillwave pulsante nas veias de Palomo.

Pode chamar como você quiser: Chillwave, Glo-Fi ou Synthpop. O som desse disco já superou tudo isso, ou melhor, levou isso mais além, criando (ou recriando) uma nova sonoridade da música Pop.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts