Experimental e às vezes até etéreo, A Tropical Entropy reflete muito o pop de hoje em dia, mesmo com características que o colocam bem distante de cacoetes radiofônicos. E isso tem tudo a ver com a maneira como Nick León – nome influente na cena clubber de Miami – pensa em suas produções e, mais além, também com as próprias intenções que ele pode ter com a obra.
O álbum tem toda aquela cara de “disco de produtor” ao trazer colaborações com outros artistas e certa variedade sonora dentro de um estilo que ele pode chamar de seu – no caso, a confluência da música eletrônica com um quê de vanguarda e os ritmos latinos, como reggaeton e funk carioca, que tanto influenciam o pop contemporâneo. É um reflexo da experiência de León, estadunidense de mãe colombiana, que despontou para além das noites da Flórida como um produtor interessante ao assinar uma das faixas de MOTOMAMI, “Diablo”. Não à toa, A Tropical Entropy parece ecoar Rosalía em vários momentos, da potente “Millenium Freak” à doce “Ocean Apart”.
A ideia, contudo, não é entregar uma obra cheia de hits – muito pelo contrário. A única música digna desse status é a (ótima) “Bikini”, com Erika de Casier na composição e nos vocais. Mesmo faixas com refrão bem demarcado, como “Crush”, não têm produção direcionada para o mainstream, refletindo mais a cena da qual León faz parte do que os territórios que Rosalía conquistou.
Ainda assim, sua maneira de pensar é compartilhada com os nomes mais interessantes do pop de hoje. Há um cosmopolitismo em sua música que se inspira nas mais diversas vertentes sem nunca perder suas raízes – em seu caso, a cena clubber e também a herança latina em casa, também presente em Miami.
Por isso, reggaeton e funk carioca não são propriamente estilos nas mãos de Nick León, mas elementos e possibilidades musicais que podem dialogar com house, techno ou qualquer outra estética com grande naturalidade. É assim com Bad Bunny, Marina Sena e Duda Beat, passando por Anitta e Tokischa (com quem ele já trabalhou), e é o que se escuta por todo A Tropical Entropy.
Dançante até certo ponto, flertando com o ambient em alguns momentos e cheio de pequenas surpresas. Escutar a obra é uma experiência musical rica, mas, acima de tudo, estar diante de um “cartão de visitas” do produtor, que tem a seu favor essa perspectiva cosmopolita, diversa e muito lúdica de fazer música.
(A Tropical Entropy em uma faixa: “Entropy”)
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