Resenhas

Noah and the Whale – Heart of Nowhere

O tempo é o tema mais importante e recorrente no novo disco do grupo. Vemos aqui uma continuidade do bom New Wave feito em seu trabalho anterior.

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Ano: 2013
Selo: Mercury Records
# Faixas: 10
Estilos: New Wave, Indie Folk
Duração: 34:56
Nota: 3.0
Produção: Noah and the Whale

Noah and the Whale parecem estar meio perdidos no tempo e espaço em seu quarto disco de estúdio, Heart of Nowhere. Ambos os temas estão excessivamente presente na obra – o primeiro é recorrente na maioria dos títulos das faixas contidas na obra, enquanto o segundo é visto nas letras, mostrando que o vocalista de certa forma se perdeu após um término de um relacionamento. Musicalmente, toda esta história faz sentido?

A começar por Introduction (e sua construção propícia a um comercial emocionante), teremos aqui um disco interessante musicalmente. A faixa-título é acompanhada da bela voz de Ana Calvi e tem um excelente arranjo de cordas que nos lembra muito bem alguns momentos de David Byrne, nada mais pertinente para uma banda que bebe bastante da fonte do New Wave dos anos 1980. Bonita, serve como localização no tempo e espaço de um grupo que parece estar literalmente nostálgico com a vida que talvez eles não tenham aproveitado devido às intensas turnês. Byrne também é relembrado em Lifetime, mas desta vez em uma música com uma orquestração à la Talking Heads, pena que este recurso não seja mais utilizado ao longo da própria faixa, só aparecendo esparsamente em momentos pontuais.

Este deve ser o motivo de a maior parte das músicas retratar a falta ou não de tempo. Como a swingada Still After All These Years em que algo ainda queima no coração do vocalista Charlie Fink ou na balada Not Too Late, canção claramente Arcade Fireana em que o líder mostra que, apesar dos defeitos individuais, sempre existe tempo para mudar. Mas talvez a grande mostra que o tema é necessário e central no disco se dá na sequência There Will Come A Time / Now is Exactly the Time. Como uma resposta programada à primeira afirmação, as faixas se conectam espirituamente seja no tema ou na base sonora, extremamente coincidentes entre si.

Apesar da beleza das faixas, esta semelhança é recorrente no disco e pode, no entanto, enjoar o ouvinte. Se a estrutura musical não pode ser modificada, a escolha adequada do nome das faixas e o seu posicionamento no disco poderiam muito bem ser distintos do que foi executado aqui. A única música que foge do tema é Silver and Gold com uma linha de baixo puxada no som do The Police, outra influência da década de 1980. O auge do disco está na excelente All Through the Night, faixa em que Charlie parece se soltar, algo que ele insiste em não fazer ao longo do disco. Sua voz passa do volume morno visto anteriormente, enquanto as guitarras fazem uma bela interação de acordes. Quando o tempo está delimitado como no título “ao longo da noite”, o vocalista consegue fugir do estigma nostálgico da obra e chegar ao seu voo mais alto.

Em seu quarto disco, Noah and the Whale continua fazendo o que sabe de melhor: faixas inspiradas em sons dos anos 1980 com uma pegada mais Pop, muito devido à gostosa voz de Charlie. No entanto, a repetição de temas acaba deixando a obra um pouco mais desitenteressate do que ela poderia ser, mostrando que o grupo talvez esteja um pouco perdido no tempo e espaço em que eles vivem. Talvez por isso o disco se chame “coração de lugar nenhum”, uma fase que certamente passará e que possibilitará o grupo a utilizar todo o seu potencial.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.