Resenhas

Nova Twins – Supernova

Segundo disco do duo coloca o peso do metal em contato com referências do pop e da música eletrônica

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Ano: 2022
Selo: Marshall Amplification
# Faixas: 11
Estilos: Post-Hardcore, Metal
Duração: 30'
Produção: Jim Abiss e Nova Twins

Considerado por muitos um gênero bastante resistente a mudanças, o Mmetal tem encontrado cada vez mais caminhos para se diversificar em meio ao surgimento veloz de diferentes estéticas na era da informação. Há exemplos de flertes mais suaves, como no abrandamento do black metal feito pelo Deafhaven, mas também de artistas que mantém sólida a identidade, repensando os elementos secundários –  como Oathbreaker e Ghost. Seja como for, o fato é o que Metal se mantém firme, a cada nova geração, ele é discretamente repaginado.

Na Geração Z, em específico, o metal parece ter encontrado um aliado fortíssimo no terreno da música eletrônica – recusando aquele tradicionalismo de que, no metal, o digital não tem vez. Impulsionados por variantes como metalcore e post-hardcore, surge uma abordagem quase futurista-cyberpunk, representado por bandas como Bring Me The Horizon e Babymetal. Além disso, este metal contemporâneo encara o mundo digital como uma ferramenta para encontrar mais territórios extremos a serem explorados. Esta é a jornada na qual o duo Nova Twins se encontra – em busca de novos rumos para uma sonoridade que já era explosiva desde o começo.

Supernova é o nome atribuído ao fenômeno de uma explosão estelar poderosa e luminosa. Se por um lado esta expressão é utilizada como metáfora para simbolizar fins súbitos (como no hit Britpop, “Champagne Supernova”, do Oasis) por outro ela caracteriza uma colossal quantidade de energia dissipada pelo espaço. É deste significado que Nova Twins parece se basear para nomear o seu segundo disco. Vindo de um disco de estreia pesado e aclamado pela versatilidade estética, o duo das garotas inglesas encontrou no metal uma linguagem mais rica para poder expressar toda a potência de seu som. Baterias supercomprimidas, baixos distorcidos e guitarras afinadas em tons graves – está tudo bem posicionado para que um bom peso seja produzido. Em contraste, elementos de música eletrônica caminham para uma exploração mais distorcida e estridente – algo que permeia a área do nu metal do começo dos anos 2000, de Mudvayne e Deftones. É uma experiência que fisga o ouvinte tanto pelo aspecto nostálgico como pela constante procura por novas formas de expressão. Soa familiar para a Geração Z, mas evidencia o quanto as integrantes estão abertas a possibilidades.

Como todo bom disco de metal, uma faixa de introdução é obrigatória para preparar o ouvinte para o bombardeio que vem a seguir. Assim, o combo “Power (Intro)” e “Antagonist” é responsável pelo impacto inicial, trazendo um balanço mais suingado e menos frenético do que o speed metal. “Puzzles”, por sua vez, constrói uma explosão mais focada em timbres metálicos e agudos, puxando tanto para o lado da sonoplastia de explosão quanto para sintetizadores esquisitões estilo Nine Inch Nails. O single “Choose Your Fighter” é o momento em que a fusão com o pop é mais evidente, repleto de gritos perfeitos para serem cantados em coro, mas também caprichando nos riffs chicletes. Por fim, “Sleep Paralysis” traz um alívio das vozes guturais, dando espaço para um arranjo que beira a complexidade do metal progressivo, ainda que mantenha uma experimentação interessante de vozes.

Em Supernova, as garotas do Nova Twins dão um passo criativo na discografia do duo e, com sonoridade mais polida, combinam o peso do metal a referências de pop, noise e música eletrônica. Um diálogo mais ambicioso e que, ainda assim, mantém a essência intacta.

(Supernova em uma faixa: “Choose Your Fighter”)

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ARTISTA: Nova Twins

Autor:

Produtor, pesquisador musical e entusiasta de um bom lounge chique