Resenhas

O Jardim das Horas – Cidadela

Assim como em seu primeiro disco, grupo traz mais quatro canções apostando em músicas hora amargamente poéticas e hora mais sensualizada

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Ano: 2013
Selo: Independente
# Faixas: 4
Estilos: MPB, Post-Rock
Duração: 17:11
Nota: 3.5
Produção: Carlos Eduardo Gadelha/O Jardim das Horas

Formado por Laya Lopes, Carlos Eduardo Gadelha, Raphael Haluli, Vitor Colares e Victor Bluhm, o quinteto Jardim das Horas vem da capital cearense e nos traz seu segundo material, Cidadela, um EP composto por quatro faixas e que funciona como uma tensão do trabalho do grupo apresentado em 2009 com o disco de estreia O Quarto das Cinzas.

É curioso tentarmos desmembrar e traduzir o estilo da banda, visto que este é formado por uma mistura de algumas bases meio eletrônicas e com um quê de Post-Rock, acompanhadas de linhas de guitarra e baixo com uma cara mais brasileira e que dá um agridoce entre a introspecção e expressão mais rasgada. Desse modo, o melhor jeito é mesmo como a própria banda intitula seu som: Livre. Desprendido de amarras, horas desenvolto hora introspectivo, nota-se uma naturalidade de música feita com pés descalços e sentimentos naturais em cada canção que ouvimos.

As canções de Cidadela passam horas com toque de sensualidade ritmada, como em Já Descobri Como Fazer, e horas com uma carga de desabafo amargo, como em Estranho, trazendo faixas mais fortes e com punch mais agressivo e de beleza doída. Além da experiência sonora – agora, indo além de uma análise do disco – temos além da bela interpretação vocal de Laya, uma interpretação visual, através de danças feitas pela cantora em apresentações ao vivo, o que completa a experiência do ouvinte com o trabalho do grupo que, ao que nos é notado, procura justamente essa simbiose entre poesia, musica e artes visuais.

Jardim das Horas é uma boa escolha para quem procura uma sonoridade com elementos brasileiros – ritmo, poesia, lirismo, sensualidade e energia – mas sem soar como algo enlatado e moldado, mas sim algo orgânico, de expressão natural. E com Cidadela, temos mais quatro faixas do que pudemos ouvir no primeiro disco do grupo, o que torna mais amplo o leque de possibilidades para nós ouvintes desse boa banda brasileira.

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).