Resenhas

Oberhofer – Chronovision

Tempo é medida, tema e narrativa usada por Brad Oberhofer em seu novo álbum

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Ano: 2015
Selo: Glassnote Records
# Faixas: 12
Estilos: Surf Music, New Wave, Post Punk
Duração: 41"
Nota: 3.0

Tempo. Esse parece ser o conceito fundamental para a música de Brad Oberhofer, nome por trás do projeto que leva seu sobrenome. Seja em seu primeiro disco, Time Capsules II (2012), ou nesta segunda obra, Chronovision, termos que sugerem ou de alguma forma embarquem o conceito temporal são comuns e de certa forma conduzem uma narrativa musical que é abertamente focada em sonoridades do passado – até mesmo o EP Notalgia (2013) advoga a favor desse ponto, digamos, melancólico e, por que não, nostálgico da música feita pelo artista norte-americano.

Musicalmente, Brad parece canalizar os sons de outrora como sua fonte de inspiração, tirar das sonoridades permeadas no Pop feitos nos anos 1970 e 1980 a base para criar algo seu, que por mais nostálgico que seja, é inegavelmente pertencente de seu (nosso) tempo. Como fruto de um zeitgeist que é curiosamente retrô, Oberhofer é atual exatamente por soar antigo. Um anacronismo que, seja sínico ou sincero, de forma alguma soa retrógrado ou obsoleto.

Chronovision mostra essa busca pelo passado não só em sua sonoridade “hibridista” (inspirada em gêneros como Post Punk, New Wave e Surf Punk), mas também por letras como “Memories/Forever memories/I know it’s hard to say goodbye/But your memory will stay in my mind”, de Memory Remains. Morte, amor, busca por perdão e um olhar lânguido ao passado também aparecem retratados aqui através letras simples e melódias pegajosas – a fórmula básica do Pop que quando bem explorado é capaz de arrancar lágrimas até mesmo das histórias mais simples e sentimentos mais básicos, o que, infelizmente, não acontece aqui.

O disco é um emaranhado de momentos diferentes e que por mais divertidos que sejam, faltam neles alguma profundidade, algo que vá além da sensação nostálgica per se ou da estética “retrô moderna” que o grupo consegue dar as suas faixas. Até mesmo conceitos como evolução ou cronologia são difíceis de se encaixar na ainda curta discografia da banda, que cresce em números, mas ainda parece presa no mesmo vórtice tempo-espacial de que saiu Time Capsules II.

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BOM PARA QUEM OUVE: Beach Fossils
ARTISTA: Oberhofer

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts