Resenhas

Octave Minds – Octave Minds

Duo de produtores mixam estilos diversos em uma das obras mais interessantes de 2014

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Ano: 2014
Selo: Boysnoize Records
# Faixas: 11
Estilos: Downtempo, Eletrônica, Experimental
Duração: 41:16
Nota: 4.5
Produção: Chilly Gonzales
SoundCloud: /tracks/166320572

Resumir um disco a um gênero é uma das tarefas mais difíceis. Às vezes, se tem a sorte de poder definir em uma palavra o estilo ao qual registro pertence, como Pop, Eletrônica, Metal etc. Porém, quando entramos no mérito de bandas como Radiohead ou Alt-J, se conseguirmos descrever uma música com dez adjetivos ou nomes, ainda estaremos sendo vagos.

Assim, a similaridade com diversos tipos de músicas e a ambição de querer ser mais do que um gênero podem ser um tremendo tiro no pé, à medida que o excesso de variáveis para se controlar às vezes prejudica o processo de composição, dessa forma, tornando o disco muita coisa e ao mesmo tempo nada. Felizmente, temos no álbum autointitulado de Octave Minds uma das exeções mais empolgantes do ano.

Formado pelo famoso produtor Chilly Gonzales e Boys Noize, o projeto é uma mostra definitiva do talento que ambos possuem juntos, sendo que já haviam trabalhado juntos na produção do disco Ivory Tower, de 2010. Transitando por diversos gêneros musicais, a palavra que mais define este registro é mais “misterioso” do que “variação”. Isto porque a inquietação de querer ser várias coisas não é simplesmente exposistiva, ou seja, Octave Minds não faz isso apenas para mostrar, mas sim, para convidar o ouvinte a explorar as diversas musicalidades de uma forma enigmática e aventurosa.

A primeira faixa já nos mostra que aqui as coisas são bem diferentes. “Symmetry Slice” tem ares de uma marcha fúnebre com um toque de Trilha Sonora, mas, após alguns minutos já se torna um tipo de Post-Rock Experimental. Anthem, por sua vez, aproxima-se mais de uma cabana isolada à la Bon Iver, ao mesmo tempo que dá espaço para um Eletro Indie no melhor estilo The Twelves. Até mesmo o Rap tem espaço nesta aventura, na faixa Tap Dance, que conta com a participação de Chance The Rapper.

Tal proposta arriscada justifica a qualidade final da obra quando vemos que são dois produtores de peso que assumem o risco e, assim, unem seus gostos particulares para criar algo novo em harmonia. Um ouvinte curioso perguntaria “se o disco não segue um padrão, isso não o tornaria sem conceito e, assim, vago?” Neste caso, não, pois, seu conceito se traduz na aventura do ouvinte. Passar de faixas que parecem New Age (Projectionist) para o Rap (Tap Dance), para no final virar algo hipnótico como algumas faixas de Radiohead (OM) e, mesmo assim, fazer isso de maneira totalmente suave sem brutas interrupções é de fato algo louvável que ganha notoriedade entre o meio fonográfico.

Octave Minds torna-se um dos discos mais interessantes deste ano e um promissor nome a figurar entre nossos dez melhores discos do ano. Com uma proposta muito cativante e uma experimentação sonora extensa, o trabalho faz com que o ouvinte tenha de escutar todas suas onze faixas. É quase uma covardia dois produtores deste naipe se juntarem para produzir algo assim. Mas que covarida que dá gosto de ouvir.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.