Resenhas

Of Monsters And Men – Beneath The Skin

Segundo disco da banda islandesa peca por repetir exaustivamente sonoridade que lhe rendeu sucesso

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Ano: 2015
Selo: Island/Republic
# Faixas: 11
Estilos: Indie Folk, Pop Alternativo
Duração: 48:33
Nota: 2.5
Produção: Rich Costley
Itunes: https://geo.itunes.apple.com/us/album/beneath-the-skin/id976392033?uo=6

Of Monster And Men está entre aquelas bandas em que o tempo está do seu lado. Com uma carreira relativamente curta, o grupo islandês conquistou uma grande parcela de ouvintes empolgados em escutar uma mistura precisa e bastante divertida entre Folk e Pop, gerando ótimos singles como King And Lionheart e Dirty Paws. Sua passagem ao Brasil despertou a curiosidade dos que ainda não os conheciam direito, instigando-os a escutar seu primeiro disco, My Head Is An Animal. A fofura da vocalista, uma boa produção e canções chicletes foram os ingrediente principais para esta conexão imediata e mesmo durante este período sem lançamentos, a banda conseguiu manter seu nome relevante, com várias de suas músicas inseridas em trilhas de filmes. Três anos depois e parece que nada mudou, a banda permanece fofa, bem produzida e Pop, porém, não estamos mais lidando com uma banda nova e os primeiros sinais da mesmice começam a atingir os islandeses.

Beneath The Skin é um disco feito para fãs da banda, o que significa que, embora ele seja bem recebido pelos entusiastas da banda, talvez o público geral tenha uma preguiça de digeri-lo de uma maneira agradável, uma vez que nada parece ter mudado. As progressões de acordes são praticamente as mesmas, os duetos de voz chegam a ser previsíveis e a obra parece estar contida em um grande deja vú. E isso, infelizmente era algo bastante esperado. Singles lançados previamente, como Crystals, Empire e Hunger, que deveriam instigar a nossa curiosidade, já transmitiam este ar de continuidade e, assim, pouca curiosidade realmente nos prendia a este disco. O que é realmente uma pena, uma vez que a banda vem de um país de tradições musicais extremamente experimentais.

O que pode despertar algum interesse é observar novas formas de explorar o gênero bastante esgotado do primeiro disco. Os ingredientes são os mesmo do primeiro trabalho, mas as quantidades se alteram entre as onze faixas. Human, por exemplo, acrescenta uma sonoridade mais fria e menos fofa. Já Wolves Withou Teeth trabalha com percussões mais folclóricas e até algum toque Post-Rock. Slow Life nos expõe uma veia mais dançante de Of Monster And Men e Organs é um prato cheio para aqueles que adoram os vocais falhados e Indie Folk da vocalista Nana. De qualquer forma, como já dito, não são músicas que se destacam e a fórmula empregada já é bem gasta.

A banda não passa no teste do segundo disco. A semelhança entre as faixas do primeiro disco já podia nos dar indícios do que ouviríamos em Beneath My Skin e, por mais que lamentamos que a banda tenha seguido a mesma direção que outrora, o disco até certo ponto. Um ponto em que você precisa sair da mesmice. Tudo aqui gira em torno de um mesmo centro, quem sabe não seja um bom momento para a banda de desligar desta força centrípeta e sair pelas tangentes do experimentalismo, como seus conterrâneos.

Um receita de bolo feita seguindo a receita à risca, com poucos toques pessoais e improvisos.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.