Resenhas

of Montreal – Paralytic Stalks

O 11º álbum da banda continua seu trabalho de múltiplas referências, caracterizado por uma diversidade quase esquizofrênica ao longo de suas nove faixas, do Pop-Psicodélico ao Pseudo-Country, passando pelo Rock Experimental

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Ano: 2012
Selo: Polyvynil
# Faixas: 9
Estilos: Rock Experimental, Pop Psicodélico
Duração: 57:35
Nota: 3.0
Produção: Kevin Barnes e Drew Vandenburg
Livraria Cultura: 29412293

Em seu décimo primeiro disco, a banda norte-americana of Montreal revela suas influências ao construir um trabalho múltiplo, dinâmico e, por que não, levemente esquizofrênico. É que Paralytic Stalks passeia por diversas fontes de inspiração bem diferentes umas das outras, às vezes até mesmo de uma mesma faixa, com as tags também das mais variadas para que a gente consiga descrever esse trabalho, como Pseudo-Country, Neo-Prog, Pop Psicodélico e Rock Experimental.

Sei que pode parecer confuso, mas é mais tranquilo de entender (e curtir) na prática. Quem tentar sentir o clima de todo o álbum por sua abertura, a distorcida e fragmentada Gelid Ascent, não vai conseguir ter uma ideia completa do que está por vir. Prova disso, é o quanto as próximas faixas se mostram divertidas e bem mais leves que a primeira. Spiteful Intervention tem uma dinâmica interessante e um refrão pop com o vocal gritado de Kevin Barnes. Ela é seguida de Dour Percentage, que começa soando como algo de Sufjan Stevens e logo parece uma produção do Mika – mesma vibe que se estende na seguinte We Will Commit Wolf Murder, que tem uma interrupção na segunda metade que muda totalmente o rumo que seguia.

Essas mudanças nos momentos conferem um bom dinamismo à audição, fazendo com que as faixas mais longas (e algumas são bem compridas mesmo) não sejam tediosas. Mas existem as mais curtinhas, como a “beatlezística” Malefic Dowery, bem no centro da obra, que bebe diretamente da fonte dos últimos trabalhos do quarteto de Liverpool. Ela abre espaço para Ye, Renew the Plaintiff, provavelmente a mais divertida de todas aqui. Ela começa mais Pop que qualquer outra e, ao longo de seus quase nove minutos, passeia por tantas variações, mas tantas, que fica até difícil resumi-la brevemente. E o melhor de tudo é que cada um desses momentos é excelente por si só, ainda mais juntos.

Mas, eis que surge Wintered Webs para, mais uma vez, nos levar em outra direção. Logo que ela começou, eu tive a impressão de ter pulado sem querer para alguma faixa de Elliot Smith, e à maneira que ela se desenvolve – com um pézinho no Funk das antigas e outro no pós-Punk -, a gente percebe que trata-se de uma produção sombria, com muitas cordas dissonantes e uma vibe quase espectral, até voltar ao Elliot do início.

Essa pegada se repete em Exorcism Breeding Knife, que parece construir uma história de Halloween só com elementos sonoros ao longo de seus sete minutos e meio, como se estivéssemos ouvindo a trilha de um curta-metragem de terror. Por fim, chegamos a Authentic Pyrrhic Remission, com seus treze minutos de elementos da cultura urbana, ruídos e uma melancólica melodia entoada por voz e piano ao final.

E Paralytic Stalks talvez seja bem isso: Uma coleção de colagens sonoras bem variadas e o que faz a obra ser coesa é justamente essa diversidade – tudo isso para embalar versos confessionais de Barnes (diz-se que este é seu trabalho mais pessoal) com a sinceridade do Country e a dinâmica do Progressivo.

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BOM PARA QUEM OUVE: tUnE-yArDs
ARTISTA: of Montreal

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.