Resenhas

Ogi – Monologues

Em EP de estreia, artista nigero-americana explora, com identidade forte e autêntica, referências consolidadas de R&B e soul

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Ano: 2022
Selo: Artium Entertainment/Atlantic
# Faixas: 6
Estilos: R&B, Soul
Duração: 21'
Produção: No I.D.

20 minutinhos que valem ouro: a audição de Monologues introduz o ouvinte ao universo lírico, estético e até mesmo emocional de Ogi. A artista nigero-americana preparou uma breve coleção de apenas seis faixas que, juntas, montam um lançamento tão completo que mal tem cara de um “primeiro EP meio cartão de visitas”, que é exatamente a natureza da obra.

Descoberta por No I.D., produtor que tem nomes como Jay-Z no currículo, Ogi escolheu seis de suas composições para mostrar sua identidade musical, moldada pelas tradições do R&B e soul. Há espaço para falar do fim de uma relação amorosa com uma elegância vintage (“Let Me Go”), para trabalhar uma canção sob medida para animar (“Envy”) e também para resgatar o R&B radiofônico dos anos 1990 em “I Got it”. “Follow Me” lembra uma Alicia Keys no começo de carreira, enquanto “Bitter” traz uma energia de banda a uma música à la Jacob Collier, com suas muitas camadas. Por fim, “IKYK” encerra o repertório com uma declaração de companheirismo e afeto em um arranjo ensolarado que faz o ouvinte terminar a audição com um sorriso na mesma vibe da música.

A produção musical, assinada pelo próprio No I.D., sabe construir ambientações que sustentam o vocal de Ogi para aproveitá-lo com suas melhores características. Seu timbre grave, ainda que um tanto discreto, é sempre muito agradável, na tradição de vozes como Sade Adu ou mesmo Nina Simone – referências que podem parecer exageradas, mas que também estão aí para terem seus legados honrados pelas novas gerações.

E não é à toa que os textos que apresentam o trabalho de Ogi falem tanto sobre seu talento musical, cultivado desde a infância, que fazem com que ela seja hoje uma multi-instrumentista que vive a pluralidade da música desde sempre, sendo criada à base de Bob Marley e música nigeriana em casa. Monologues não traz essa diversidade toda sonora, mas nos apresenta uma personagem de musicalidade complexa que, ao trabalhar uma linha muito específica da música contemporânea, consegue honrar não só essa sua herança, mas também sua própria identidade.

(Monologues em uma faixa: “Envy”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.