Resenhas

Oscar Jerome – The Fork

Em meio a uma atmosfera introspectiva, músico britânico mantém a veia jazzística, mas abre espaço para o R&B, o soul e a música eletrônica

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Ano: 2025
Selo: New Soil
# Faixas: 11
Estilos: Jazz
Duração: 44'
Produção: Oscar Jerome

Em The Fork, Oscar Jerome nos propõe uma reflexão: em nossos caminhos, aparecem bifurcações e a escolha por qual trilha seguir pode ser focada no “eu” ou no “nós”. O disco propõe uma meditação sobre essas decisões — não apenas as pessoais, mas também as sociais e espirituais. A imagem do “fork”, da encruzilhada, aqui serve como símbolo de amadurecimento e consciência, um ponto de virada em que a reflexão encontra o impulso — e o impulso, uma direção. E esse é o ponto de virada em que Oscar se encontra. Sem abandonar seu tom contemplativo, agora ele o segue por novos caminhos para abarcar dimensões mais amplas e comunitárias.

Oscar Jerome apareceu no cenário britânico com um primeiro álbum lançado em plena pandemia (Breathe Deep), com atmosfera mais introspectiva, centrada em crises particulares e na tentativa de encontrar um reflexo confiável em meio ao caos do momento. Era como encarar um espelho embaçado e se deparar com um retrato fragmentado de si. Já em The Fork, ele se vira para a janela: em vez de se observar, ele observa o mundo, os outros, as conexões e os dilemas que transcendem o indivíduo.

Esteticamente, o novo disco mantém viva a veia jazzística de Jerome, porém agora ela é revestida por novas camadas. Há incursões eletrônicas, texturas que remetem a sonoridades do Oriente Médio e diálogos com o soul e o R&B. Mesmo com os acréscimos, o músico preserva a fluidez instrumental e a construção rítmica que são suas marcas. O que muda radicalmente é o conteúdo: a lírica se descola do “eu” e abraça o “nós”. As músicas carregam críticas ao individualismo, à noção capitalista de sucesso e nos convocam a repensar o papel do coletivo em uma era na qual a hiper conectividade, paradoxalmente, nos torna mais solitários.

A força de The Fork se amplifica quando o somamos ao curta-metragem que o acompanha, obra visual que expande e aprofunda seus conceitos. O filme serve como uma espécie de denúncia aos efeitos do individualismo exacerbado e nos aponta para a urgência de uma reconexão coletiva — espiritual, artística e social. E essa abertura ao outro não se limita ao discurso: musicalmente, o registro acolhe novas sonoridades e novas texturas, bem como novos colaboradores (como Hak Baker, anaiis e MA.MOYO), reforçando o desejo de Oscar Jerome de dialogar com o diferente. No final, o álbum se torna uma encruzilhada viva, onde caminhos diversos se cruzam e, juntos, seguem em direção a algo novo.

(The Fork em uma faixa: “The Fork”)

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ARTISTA: Oscar Jerome

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts