Resenhas

Oso Oso – sore thumb

Nascido a partir de uma tragédia, quarto disco do grupo nova-iorquino vai além do emo pop e conquista pela crueza e experimentação

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Ano: 2022
Selo: Triple Crown Records
# Faixas: 12
Estilos: Emo, Emo Pop
Duração: 38'
Produção: Jade Lilitri, Billy Mannino e Tavish Maloney

sore thumb é um desses discos que nascem a partir de uma tragédia e se tornam tão interessantes por conta da história de como foram criados. Para seu quarto álbum, o grupo nova-iorquino Oso Oso, que havia ganhado destaque no meio emo com seu ótimo Basking in the Glow (de 2019), começou a produzir a obra em meio à pandemia do COVID-19, a partir de uma série de demos e outros materiais registrados ainda no final de 2020. Boa parte desse material mostrava o guitarrista Tavish Maloney e o vocalista Jade Lilitri tateando em estúdio que seriam os novos caminhos da banda.

Em março de 2021, Maloney morreu aos 24 anos, deixando o futuro da banda incerto. O registro, então, nasce exatamente das sessões ainda gravadas com Tavish, e a banda se dedicou posteriormente aos processos de mixagem e masterização do que, até então, eram apenas demos e guias. Segundo Lilitri, o que ouvimos é que o seu primo e ex-companheiro de banda também ouviu. Isso fica de alguma forma evidente quando se compara o acabamento de Basking in the Glow e sore thumb, com vocais que nem sempre atingem seu melhor resultado ou instrumentação que, às vezes, parece também aquém de seu antecessor. Ainda assim, a crueza e a experimentação vistas aqui não se encontram no seu antecessor.

Esta obra soa bem mais livre, como se a dupla ainda estivesse apenas testando até onde aquela fórmula emo-pop de 2019 podia chegar. E talvez seja exatamente a liberdade da experimentação por algo que, até então, não seria mostrado para mais ninguém, o que torna a obra tão abrangente e interessante. A banda se permite experimentar com momentos bem pop rock em “father tracy” (que por momentos até lembra “Never There”, do Cake), com um Lo-Fi folk em “give a fork” ou ainda uma baladona indie rock ao piano (à la Cold War Kids) em “pensacola”. Tudo isso, é claro, sem esquecer do que os trouxeram até aqui e a fórmula emo-pop está presente nas ótimas “nothing to do” e “fly on the wall”.

O registro é uma espécie de homenagem a Tavish, mas também um olhar mais de perto ao processo de criação do duo. Possivelmente o resultado da obra, não fosse a tragédia com a banda, seria outro. Nunca saberemos. Porém ver como as músicas nascem da interação entre eles é algo bastante único e talvez não haja melhor exemplo do que a “hidden track” de “carousel”, um registro dos músicos brincando e fumando maconha enquanto gravam uma piada ao violão. Mais uma prova de que sore thumb pode não ser o melhor registro do grupo ou até mesmo soar inacabado, mas, sem dúvidas, evidencia a intimidade e a dedicação mútua como nenhum outro projeto do catálogo do grupo.

(sore thumb em uma faixa: “fly on the wall”)

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ARTISTA: Oso Oso

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts