Resenhas

Outfit – Performance

Banda inglesa faz um daqueles discos que você precisa ouvir do começo ao fim, cheios de boas surpresas ao longo da audição

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Ano: 2013
Selo: Double Denim Records
# Faixas: 10
Estilos: Pop Psicodélico, Indie Pop, Synthpop
Duração: 43:55
Nota: 4.0
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fperformance-deluxe-v

Se é possível dançar em meio ao sonambulismo, Performance veio como a trilha ideal para agitar um sono pesado. Caso o fenômeno não seja realizável, as músicas que a inglesa Outfit juntou aqui certamente nos ajudam a entender qual seria a sensação de embalar o corpo que teoricamente deveria estar em repouso.

Não quero dizer que são faixas que te fazem dormir. O legal é como esse disco consegue te colocar em um estágio próximo ao sonho, por conta de guitarras etéreas envoltas por uma atmosfera Psicodélica e Pop, daquelas que te fazem acompanhar cada melodia cantando, batucando ou mesmo dançando.

Quem gostar do que o disco oferece logo de cara, com a dobradinha Nothing Big e I Want What’s Best, terá boas surpresas ao longo da audição. Suas ambientações tem um tom escuro, noturno, acompanhado por vozes que retomam diferentes estilos da música popular britânica, trazendo à mente as mais diversas comparações, em uma mistura muito simpática.

As duas próximas continuam trabalhando esses adjetivos, incluindo a sombria faixa-título, até o álbum chegar à sua metade com a balada Spraypaint. Oitentista, ela tem um inegável ar romântico no refrão e parece ter sido retirada da programação de alguma rádio nostálgica. Quando ela termina, a melhor parte do disco (que já estava bom até aí) dá as caras.

Elephant Days inaugura esse lado-B em uma pegada mais gostosa de ouvir, menos soturna. É como se o dia tivesse raiado, mas a festa continuasse em outro lugar. Certamente, uma das melhores da obra. Na sequência, Phone Ghost continua na proposta de acordar, com suas notas prolongadas que se espreguiçam por toda a faixa. É a que menos chama a atenção até agora, mas tem seu lugar certo.

Thank God I Was Dreaming é uma das mais Pop de todo o álbum e seus primeiros segundos poderiam introduzir o hit de uma grande cantora comercial, mas, ao invés de explodir em uma direção tão batida, mantém seu espírito e cozinha seu potencial em fogo baixo, deixando a audição interessante até começar The Great Outdoors, que retoma a atmosfera da primeira metade do disco, mas em uma pegada mais otimista.

E o melhor ficou mesmo pro fim. Two Islands é um raro caso de música muito longa que você dá graças por sua duração – e ela poderia ser maior ainda, na verdade. Percussiva e etérea, ela reúne as melhores características de todo o álbum ao longo de mais de seis minutos muito simpáticos e densos, cheios de camadas sonoras e uma guitarra pra lá de interessante.

É uma atmosfera da qual você não vai querer sair tão cedo. Apenas torça pra não ter que acordar.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.