Resenhas

P a r a t i – Superfície

Entre letras intimistas e ambientação etérea, casal confere boa identidade ao novo projeto

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Ano: 2015
Selo: Balaclava Records
# Faixas: 8
Duração: 31:14
Nota: 3.5

Melhor do que poder se arriscar em um novo terreno sonoro é poder fazer isso bem acompanhado. Após trabalharem juntos em projetos como Cabana Café e Champu, Rita Oliva e Zé Lanfranchi decidiram criar músicas em uma atmosfera Eletrônica diferente dos grupos com os quais ficaram conhecidos, daí surgiu P a r a t i.

Superfície é o resultado dessa ambição, uma reunião de oito faixas construídas em um clima um tanto etéreo (comum a diversas produções que tem a Eletrônica como pano de fundo), com guitarra Indie e a voz de Rita (que dão mais chão ao disco) como guias orgânicos para as letras. Essas, por sua vez, trazem dramas internos à tona (uma ideia pra entender, ou interpretar, o nome da obra) e fogem do que alguns poderiam esperar de um trabalho feito por casal – uma expectativa romântica presente apenas em Besteira, faixa de abertura e primeira amostra do disco.

Existe grande coesão entre as composições e os arranjos, mas cada uma das músicas parece trazer alguma pequena surpresa que chama a atenção mesmo quando você não está ouvindo Superfície ativamente – até porque é o tipo de álbum bom de deixar tocando enquanto você faz qualquer outra coisa. Nos momentos de parar para escutá-lo, fica a sensibilidade de faixas moldadas para amparar os versos íntimos e otimistas (“Indie de autoajuda”, como brinca Rita). Ouça Kino e entenda todo esse parágrafo.

É uma obra que cresce à medida em que é ouvida, brincando entre a discrição e o volume. Os músicos conseguiram mais do que dialogar com as novas referências, dando ao projeto uma boa identidade.

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BOM PARA QUEM OUVE: Mahmundi, SILVA, Toro y Moi
ARTISTA: P A R A T I
MARCADORES: Indie, MPB, Pop Eletrônico

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.