Resenhas

Painted Palms – Forever

Básico e efêmero, disco de estreia do duo concentra-se na mediocridade e falha por não ser mais ousado

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Ano: 2014
Selo: Polyvinyl
# Faixas: 12
Estilos: Rock Psicodélico
Duração: 39:00
Nota: 2.5
Produção: Painted Palms

Como justificar o poder de um disco? A música toca muitas vezes um lado escondido do ouvinte, o levando a diretrizes jamais imaginadas. Não devemos polarizar uma obra em boa ou ruim, mas sim em relevante ou irrelevante. Por isso que, quando nos deparamos com o medíocre, ficamos paralizados. O som comum não consegue causar impacto algum e permanece no limbo de obras que talvez nunca mais sejam acessadas. O trabalho inicial do Painted Palms é interessante até certo porto, mas comum na maioria das vezes.

Faixas são passadas, 39 minutos também e parece que nada aconteceu. A sensação de rotina automática em que ações são tomadas sem percepção é o cerne de Forever. Temos boas referências aqui e ali – Beach Boys na maioria do tempo e um pouco de Primal Scream são o caldo da sopa psicodélica básica do duo – entretanto, me parece muito pouco. Christopher Prudhomme tem um ar notável de Brian Wilson, seu timbre é calmo e quase infantil, o que traz ainda mais ecos da banda dos meninos da praia.

As influências são tão perceptíveis que, quando paramos e fechamos os olhos, podemos nos ver nos 1960 novamente. No entanto, tanta semelhança acaba fazendo com que o impacto do som seja imperceptível, o comum não me atrai e me vejo sempre diante desta opinião ao longo de todo o disco. Soft Hammer, Carousel parecem partes do mesmo bolo, com mesma textura e gosto. A sensação que temos é que o olhar está tão fixo em determinada banda como referência que o próprio grupo não consegue se expressar puramente. Not Really There tem tanta originalidade quanto uma piada de português, enquanto Sleepwalking traz mais do mesmo escutado em Forever: voz serena, pseudopsicodelia, letargia e sonhos.

Obviamente, nem tudo se resume ao medíocre bem executado e quando podemos ter um sopro de vida no disco as coisas começam a fluir melhor. Como o Acid-House de Hypnotic, faixa dançante e divertida, apesar de sua letra boba. Ou Spinning Signs, esta sim relevante e enérgica, como se Broken Bells colocasse os pés nas pistas de dança de verdade.

Entretanto, no final das contas, estamos diante de mais do mesmo na maioria das músicas, infelizmente.O domínio dos instrumentos e certeza do que o duo quer – beber das águas californianas do Beach Boys – estão bem claros. Todos precisamos de referenciais, mas quando o que se objetiva é somente a cópia e não elevar a qualidade, acabamos nos tornando mediocres – algo visto em Forever, um disco interessante, mas efêmero, psicodélico, mas básico demais. Como se tornar relevante e traduzir-se em uma obra que prenda o ouvinte devem ser ensinamentos para um futuro e possível próximo disco.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.